
O Campeonato Carioca 2009 termina no domingo e, como as reações serão extremadas para o bem ou (toc, toc, toc) para o mal, convém deixar alguns pontos já registrados, de olho no Brasileirão que se avizinha – sim, meus amigos, logo logo teremos os duelos Alessandro x D´Alessandro, Emerson x Ronaldo, Juninho x Keirrison, entre outros motivos para suar frio e nos trazer de volta à realidade.
E, por enquanto, o que temos?
O primeiro, e o mais importante, lembrando que, como estamos em véspera de decisão, não convém se estender nos pontos negativos que todos já conhecemos muito bem:
* Saldo positivo – Lembram do fim do ano, quando não havia nem onze jogadores no elenco depois da debandada generalizada por conta do atraso dos salários e outros fatores extra-campo? Pois é, o Botafogo teve um time que, mesmo com todas as deficiências que já cansamos de falar, conseguiu pela quarta vez consecutiva chegar à final do estadual, derrotando dois rivais diretos (grenás, lusos) em partidas decisivas nas semifinais da competição. Para quem era uma incógnita, apontado em janeiro como a “quarta força” do Rio, não é pouco.
* Austeridade com eficiência - Ponto para a nova diretoria e para a comissão técnica: o time, mesmo limitadíssimo, rendeu muito gastando pouco. Comparem a folha salarial do adversário de domingo com a nossa: todos os titulares, mais quase todos os reservas dos urubus têm salários superiores a R$ 100 mil. No Botafogo, salvo engano, Reinaldo é o único que ultrapassa esse valor. Claro que isso acarreta na contratação de um monte de jogadores sem condições de vestir a camisa alvinegra (Emerson, e não apenas pelo gol contra da Taça Rio, é um deles, sem contar nulidades como Jean Carioca, Lucazzilva, etc), e há absurdos, como a péssima forma física de Renato após TRÊS meses de treinamento e o estranhíssimo caso Teco (o cara não jogou uma partida ainda) mas, na média, as contratações renderam mais do que o esperado… para o Carioca.
* Um time raçudo e sem ranço dos anos anteriores - Sim, o time é limitado (e faremos um post em separado na semana que vem com a avaliação do trabalho do Ney Franco), mas não podemos nos queixar de falta de empenho. Pelo contrário: em outras circunstâncias, como em 2008, tomar um gol do maior adversário ainda no primeiro tempo seria senha para desestabilização emocional e abertura da porteira. O Botafogo desse ano, não; virou o jogo ainda no primeiro tempo e só não ganhou a partida pela dupla contusão de seus atacantes e pelo erro crasso do Ney em colocar na partida um jogador sem condições de atuar profissionalmente. O Botafogo 2009 é diferente do Botafogo 2008 – e isso faz bem ao time e à torcida.
* Ataque eficiente e solidário - Essa, sem dúvida, foi a grande surpresa positiva. Ninguém esperava que o trio Maicosuel – Victor Simões – Reinaldo se encaixasse tão rapidamente, e (aparentemente) sem estrelismo. Se Dodô fazia questão de brilhar praticamente sozinho em 2007, e em 2008 nosso “poderio ofensivo” se limitava a Wellington Paulista-Jorge Henrique-Fábio Fabuloso, o cenário é bem diferente em 2009.
* Craque do campeonato, ídolo a caminho – Se a diretoria trabalhar direitinho e a bruxa não andar à solta novamente, Sir Michael Swell tem tudo para ser um dos grandes destaques do Brasileirão. No Carioca, fez gol logo no primeiro jogo, garantindo a vitória no último minuto da partida (lembram?). Mais: fez chover em pelo menos dois clássicos, contra o vasco no 4 x 0 e no último domingo. É o fator de desequilíbrio do time, nossa esperança de sonhar com algo melhor do que apenas mais uma participação na Sul-Americana.
Melhor jogo até agora: Botafogo 4 x 0 vasco, semifinal da Taça Rio. Um jogo para rever e gravar.
Pior jogo: Botafogo 0 x 1 flamengo, final da Taça Rio. Por tudo o que já sabemos.
Então, meus caros, não se iludam com o resultado de domingo. Se formos campeões, vamos até achar que o Alessandro não é tão ruim assim, e que o Emerson, coitado, merece uma chance. Se perdermos o jogo, nem vamos lembrar que entramos sem o nosso único craque em campo: vamos xingar o Reinaldo (atualizado no sábado – ele também não joga a decisão) e o Victor Simões de mulambentos, mandar o Ney Franco para a beira do caos, etc.
Agora, encerrada a racionalização, vamos para o fim de semana mais importante do primeiro semestre do ano.
- Vai na bola, Thiaguinho! Acerta o pé, Victor! Sai do gol, Renan! PQP, Alessandro! Que é isso, seu juiz? Cadê você, Fahel? Sai daí, Emerson! Foi pênalti, ladrão! Capricha, Juninho! Isso, Guerreiro, sem falta, na bola! Vamos ganhar, Fôgoooo!!!
