
Lembro bem do final de 2007, quando o Botafogo saiu à cata de reforços e travou uma verdadeira batalha com outros clubes brasileiros para fechar negócio com o Coritiba e levar o Túlio Souza para General Severiano.
Fazia tempo que a torcida não se empolgava tanto com uma contratação, mesmo sendo mais um volante. O fato de o time já contar com Túlio, Leandro Guerreiro e Diguinho nem era considerado impedimento; muitos já armavam o time com quatro volantes, com os dois Túlios mais adiantados, a la Hernanes. Outros cogitavam escalar o novato na ala direita, já que o Alessandro estava muito mal (novidade!) e ninguém queria que ele emplacasse uma nova temporada no alvinegro (e nós tínhamos razão!).
Doce ilusão…
Ainda naquele tempo, com tantos comentários sobre o jogador, assisti a um dos últimos jogos do Coritiba pela Série B. E o Túlio (não tinha Souza em seu “nome artístico”) simplesmente arrebentou com a partida – fez gol, deu passe para outro, deu show de garra, de passes precisos e chutes certeiros. E olha que no time tinha um certo centroavante chamado Keirrison, hein?
Mas o Túlio era destaque em quase todas as partidas.
Tinha sido assim desde o início da temporada. Confiram trecho de reportagem do jornal Bem Paraná, sobre o primeiro jogo do Coritiba pela Série B de 2007:
“Não basta apenas categoria, na Série B é preciso raça. O volante Túlio levou isso à risca na estréia do Coritiba neste sábado. O jogador, caracterizado pela movimentação intensa, marcou dois gols praticamente sozinho e foi fundamental na vitória sobre o Paulista, por 3 a 1, no Couto Pereira. O jogo foi válido pela primeira rodada da Segundona de 2007. “É muito bom marcar. O torcedor pode saber que raça desse grupo nunca vai faltar”, disse Túlio, após a partida. “Se precisar colocar a cara na chuteira do adversário, eu vou colocar, e se a equipe colocar essa vontade dentro de campo, vamos colocar o Coxa de volta na primeira divisão”, completou ele, que correu como aquele Diabo da Tasmânia dos desenhos animados…
Em jogo decisivo, que selou a volta do Coxa à Série A, Túlio entrou em campo no intervalo. Vejam o relato do globoesporte.com sobre a sua participação na partida:
O Coxa voltou para o segundo tempo disposto a garantir logo sua classificação para a Série A. No intervalo, o técnico René Simões apostou na entrada de Túlio no lugar de Ivo. E o jogador não decepcionou. Logo aos 6 minutos, mandou uma bomba de fora da área no canto direito. O goleiro Ney se esticou todo, mas nada pôde fazer: 2 a 1. Golaço!
Então, foi esse jogador tão badalado, que encantou a torcida paranaense, que chegou a General Severiano.

De cabelo cortado e identidade renomeada, Túlio Souza começou a treinar e a expectativa da torcida aumentou. Logo, porém, o departamento médico descobriu que ele não estava bem. Inicialmente diagnosticado como hérnia de disco, o problema do volante era uma tal de “Síndrome de Gillmore”, que o deixou afastado dos gramados no primeiro trimestre do ano.
“Problema de Túlio Souza é mais grave e ele terá que ser operado”, destacou o blog do Movimento Carlito Rocha no início de fevereiro.
A partir daí, meus caros, tudo desandou.
Quando TS se recuperou, teve uma atuação tão horrorosa no primeiro jogo da decisão contra o flamengo que foi substituído pelo Cuca com menos de 30 minutos de jogo – tinha tomado cartão amarelo no primeiro minuto e o Juan estava passeando em seu setor com uma desenvoltura humilhante.
Ali nós começamos a desconfiar que o jogador do Coritiba não tinha desembarcado no Rio de Janeiro. Pior: em outras partidas, se revelou emocionalmente descontrolado, tomando cartão atrás de cartão e apelando para a violência em lances desnecessários.

No Brasileirão, com Cuca ou Ney Franco, jamais ameaçou a posição de Túlio e Diguinho, nem mesmo a de Alessandro ou Thiaguinho. Quando entrava, era para completar o elenco. Não me recordo de nenhum golaço dele com a camisa alvinegra (na verdade, não lembro nem de um golzinho…), nem de atuações de encher os olhos.
Muito pelo contrário.
E, em 2009, nada mudou: além da recuperação de Leandro Guerreiro, chegaram mais três volantes – Léo Silva, Fahel, Batista – e todos têm mais prestígio com Ney Franco que Túlio Souza. Tem jogo que ele não pega nem banco, sequer é relacionado.
É a última opção da imensa lista de volantes.
Sinceramente, não consigo entender o que aconteceu – e gostaria de saber se alguém tem alguma tese ou palpite. Será que ele nunca foi um grande jogador e só fez uma ótima temporada pelo Coritiba? Ou será que o Botafogo não conseguiu fazê-lo render o que sabe, devido à intervenção cirúrgica e às constantes improvisações?
Não sei.
O que eu sei é que, a continuar desse jeito, Túlio Souza será o primeiro da lista alvinegra a ser mandado para o América. E, em dois anos, ele terá trocado a missão de levar um time forte (Coritiba) para a Série A do Brasileirão pelo desafio de retirar um time-fóssil (Ameriquinha) da Série B do Campeonato Carioca.
E o cara só tem 25 anos…