
Os comentaristas costumam dizer que o Botafogo é um dos times mais ofensivos da temporada.
Quá, quá, quá.
Pelo que tem demonstrado nas últimas partidas, o Botafogo é um dos times mais inofensivos da temporada.
Vamos ao elementar: para fazer gols, é preciso criar oportunidades, certo? Então, se o time não cria chances, jamais poderá convertê-las. Eis o Botafogo em setembro de 2008.
Foi esse o time que prometeu jogar na Colômbia com o mesmo espírito da partida contra o Coritiba? E nós acreditamos? Palermas, é isso o que somos!
Pois o time jogou igualzinho como no último domingo contra a Portuguesa: desinteressado, disperso, permitindo ser acossado por um adversário fraco. E, inaceitável, o Botafogo jogou sem ofensividade – em todos os sentidos: tática, técnica, espiritual. Sem vigor, sem tesão.
Pior não foi perder para o limitadíssimo América de Cali, que me lembrou o brioso Auto Esporte jogando no Estádio da Graça, em João Pessoa (Alô, Pereirão! ). Mas sim, perder sem se importar em reverter dentro de campo o resultado adverso. Como se fosse rotina perder: uma coisa banal, tipo ir à padaria, trocar uma lâmpada ou tirar um cochilo no sofá depois da macarronada.
A nossa sorte, que nos fez escapar de um resultado pior, foi o longo tempo de respeito que o América nos concedeu – graças, obviamente, à história do clube, não a esse time brocha que entrou em campo. Se eles apertassem mais (e tivessem maior qualidade técnica), fariam mais, pois o André Luiz estava tentando entregar desde o início da partida – até que conseguiu quando, de forma desastrada, cortou uma jogada na área na cabeça de Túlio e a bola sobrou limpa para o atacante americano fuzilar e marcar o único gol do péssimo jogo.
De resto, mais do mesmo: Lúcio Flávio sumido, Jorge Henrique idem, Carlos Alberto tentando alguma coisa sem conseguir grande coisa, nenhuma armação de jogadas. Para piorar, Thiaguinho estava numa noite horrorosa, Túlio idem.
E Wellington Paulista, meu deus, o que é o Wellington Paulista? Ou melhor, o que não é o WP? Não consegue matar uma bola, completar uma jogada, chutar a gol; nada, nada, nada. Um atacante com o pior dos defeitos no seu ofício: inofensivo. Antes eu sentia solidariedade por ele, depois um pouco de pena. Agora, só raiva. Muita raiva.
Foi sempre assim? Não, o time até jogou de forma razoável nos primeiros 15 minutos do segundo tempo. Mas depois recuou para garantir o empate. Deu no que deu. De novo.
Se é para continuar assim na Sul-Americana e depois pegar adversários fortes, na boa: é melhor sair na próxima semana, para evitar um novo tombo monumental como o contra o River Plate em 2007.
Assim eles jogaram:
Castillo – O melhor em campo. Ao menos, demonstrou raça e espírito de competição ao longo dos 90 minutos. Uma lambacinha que não rendeu nada, algumas boas saídas, tentativa de armar jogadas, e sem culpa no gol. Nota 6
Thiaguinho - Tinha uma avenida para evoluir no setor direito do América, mas errou tudo que tentou. De novo. Será que o feitiço acabou? Nota 2. Foi substituído por Alessandro, um ótimo cruzamento e pouco a acrescentar. Nota 3,5
Renato Silva – Por conhecer suas limitações, não inventou e não comprometeu muito. Mas também perde todas nos escanteios, que coisa. Nota 5
André Luiz – Uma partida tenebrosa. Perdeu todas as disputas por cima, quase todas por baixo, e apelou para a violência, fazendo faltas desnecessárias e perigosas – como a que resultou em uma bomba no travessão. É essa a raça que a gente precisa? Não, obrigado. Nota 2
Triguinho – Furadas, chutões e nada de apoio. Nota 3 Deu vez a Zé Carlos, que me impressiona pela capacidade de irritar mesmo com pouquíssimo tempo em campo: sempre faz uma lambança ridícula, e pede desculpas com as mãos estendidas. Trata-se de um fenômeno. Nota 1
Diguinho – Razoável. Bons desarmes, muitos passes errados. Nota 5
Túlio - Estranhamente perdido no combate, como se estivesse desentrosado, out of time Ainda tentou armar as jogadas do ataque, já que o cara que deveria fazer isso (usa braçadeira, não é difícil de adivinhar) tinha sumido. Mas simplesmente não se encontrou dentro de campo: pena que o André Luiz o achou logo no lance do gol colombiano. Nota 3
Carlos Alberto – Repetindo o comentário da Portuguesa: razoável no primeiro tempo, sumido na segunda etapa. Mas é o único que tenta o tempo inteiro. Quando ele for embora, as coisas ficarão ainda piores pra gente. Nota 5
Lúcio Flávio – Entrou em campo… nos primeiros 15 minutos do segundo tempo, quando até voltou para marcar, tentou tabelas e chegar na área colombiana. Depois, sumiu novamente. Na única falta perigosa a nosso favor, não conseguiu fazer a bola passar nem por cima da barreira. Escanteios inúteis, passes laterais improdutivos, o de sempre: empolgação, só na hora de trocar camisa com um adversário para levar para a família. Nota 1
Jorge Henrique – Como no jogo contra a Portuguesa, parecia disperso e contribuiu para a falta de ofensividade do time. Nota 2 Deu lugar a Lucas Silva aos 31 minutos do segundo tempo que, quase não tocou na bola, mas ao menos imprimiu velocidade no exíguo tempo que lhe sobrou. Merece entrar, pelo menos, no intervalo. Nota 5
Wellington Paulista – Não tenho mais o que dizer, a não ser lamentar que não tenha sido negociado no meio do ano: teria deixado alguma saudade por conta do Carioca e escaparia das toneladas de palavrões que despejo em cima dele a cada jogada ridiculamente perdida. Nota 1
Ney Franco – O que conquistou ao chegar, já desmoronou. Três derrotas consecutivas e, pior, um time vacilante na defesa e sem nenhum poder de criação nem de finalização. Chegou a hora de mostrar que é técnico de verdade, não distribuidor de camisa. É hora de mexer. Nota 4