Fogo Eterno

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Nós e a Sul-Americana 2008: o que faltou?

22 04UTC 12amThu, 04 Dec 2008 01:09:17 +0000ç2008, 2008 · 6 Comentários

Para quem achava que o Botafogo tinha sucumbido apenas por conta dos próprios erros ao ser eliminado na Sul-Americana em 2008, o título conquistado pelo Inter na noite dessa quarta-feira ajuda a relativizar um pouco as coisas.

Pois, mesmo com a incensada tríade Nilmar-Alex-D`Alessandro, que devem ter a folha salarial equivalente a de todos os titulares alvinegros, o time colorado sofreu pacas para ser campeão. Com o estádio lotado e incentivando o tempo inteiro, não conseguiu ganhar dentro de casa do bom Estudiantes de La Plata. Só arrancou o empate no final do segundo tempo da prorrogação.

E por que o Inter foi campeão? Ora, porque tem centroavante; nós, não. Nilmar sofreu o pênalti em La Plata e fez o gol do título. Na mesma La Plata, Wellington Paulista perdeu o gol que teria complicado a vida do time local e garantido ao menos a possibilidade de classificação na segunda partida, no Engenhão.

Quatro ou cinco jogadores de reconhecida qualidade, meus caros, realmente fazem a diferença nas horas cruciais. Investimentos caros, mas nas posições certas. Porque o resto do time do Inter – Edinho, Marcão, Índio, Taison, Bolívar – nem fede nem cheira, teria que disputar posição se chegasse procurando emprego em General Severiano. 

No mais, vale lembrar que o Inter só conseguiu o gol salvador quando Verón tinha deixado o campo. No segundo tempo, como tinha sido nos dois confrontos contra o Botafogo, o ex-AFA, mesmo com seis infiltrações, mandou no jogo: ditou o ritmo, com lançamentos precisos e uma visão diferenciada - incrível, o cara não erra um passe (me lembrou o Diguinho e o Zé Carlos…). 

Duas observações além-jogo:

* O procurador, essa palavrinha que virou eufemismo para empresário, do Gustavo Néri merece, mais uma vez, o título de Profissional do Ano: o cara não joga nada (já jogou?) há algum tempo e sempre consegue uma boquinha privilegiada. Ao entrar no segundo tempo, GN cometeu uma série de erros bisonhos e quase jogou o título da Sul-Americana dentro do Rio Guaíba. Mas participou do lance do gol do Nilmar e vai faturar um ano por conta desse lance de sorte. Eis um chinelinho virado para a lua.

* Entrevista do cabeludo Marcão, aquele do incrível doping do xampu, na coletiva após o jogo. O repórter local, voz grave e sotaque forte, não se contém e deixa escapar, num rasgo de emoção, provavelmente com os olhos marejados de lágrimas:

- Marcão, você é um exemplo de raça, determinação, gana… Marcão, você provou que tem farinha no saco!

Eu, hein???

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Ao Papai Noel – três pedidos ainda para 2008

22 04UTC 11amTue, 04 Nov 2008 01:12:26 +0000ç2008, 2008 · 8 Comentários

Caro Papai Noel,

Sei que ainda faltam quase dois meses para o Natal, mas por conta da situação periclitante do meu time, antecipo para o início de novembro os meus três pedidos e formulo duas opções – a impossível e a possível. Por favor, preste bem atenção nos desejos (não vá misturá-los nem entregá-los em outro endereço, hein?).

Bem, vamos começar pelo reino das impossibilidades:

1. Que o Botafogo se classifique com 5 x 0 em cima do Estudiantes para as semifinais da Sul-Americana: dois gols de Carlos Alberto, dois de Wellington Paulista e um do Lúcio Flávio por baixo das canetas do Verón.

2. Que o Botafogo ganhe de 3 x 0 do flamengo, gols de Túlio, Zárate e Carlos Alberto, sendo um deles (o senhor pode escolher o jogador) um frangaço do Bruno

3. Que, na última rodada, o Botafogo, já com os salários em dia (inclusive o décimo-terceiro), tenha nas mãos a chance de classificar ou eliminar o flamengo da libertadores por conta do resultado contra o Palmeiras

Agora, o possível:

1. Que o time não seja eliminado da Sul-Americana com requintes de crueldade. Tipo, construir a vantagem necessária e depois deixá-la escapar. Se é para ser assim, que fique no 0 x 0.

2. Que arranque ao menos um empate contra os burro-negros, suficiente para afastá-lo ainda mais da disputa da Libertadores.

3. Que, caso a disputa da Libertadores esteja entre o Palmeiras e urubus e eles dependam de uma vitória nossa, o Botafogo perca por 1 x 0 , com gol contra do Emerson, Rodrigo Sá ou outro queridinho do Ney Franco, já nos acréscimos.

É pedir demais, Papai Noel? Acho que não.

Pois é só o que me resta pedir para 2008.

Além, claro, de um 2009 mais iluminado.

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Sul-Americana faz bem ao bolso e ao coração

22 06UTC 10amMon, 06 Oct 2008 00:05:46 +0000ç2008, 2008 · 4 Comentários

E o Estudiantes, hein?

Nosso próximo adversário na Sul-Americana ganhou do Boca  – na Bombonera.

Quem foi que disse que Sul-Americana é mamão-com-açúcar?

Agora, vamos pensar um pouco:  para chegar ao topo da única competição que o Botafogo tem chances concretas de conquistar em 2008, é preciso obter, em seis jogos, três vitórias e três empates.

Já no Brasileirão, para obter uma vaga para a Libertadores nas próximas dez partidas, será necessário ganhar – no mínimo - seis vezes e ainda arrancar dois ou três empates. E, mais importante, ainda torcer para seguidos resultados negativos dos outros adversários pelo G-4.

Portanto, para conquistar a Sul-Americana, o Botafogo só depende dos próprios esforços: tem que  vencer três confrontos mata-mata. E a competição ainda rende uma bolada milionária ao campeão, o que certamente renderá uma premiação suficiente para pagar os salários atrasados e os presentes de Natal da rapaziada. Ou seja: a taça significa a chegada de Papai Noel em General Severiano.

Então, devemos priorizar a Sul-Americana?

Depende. Se o time ganhar os três próximos jogos  – Vitória, Santos e Ipatinga – pode ainda sonhar com a Libertadores. Mas, em caso de novos tropeços, ficará estacionado na faixa intermediária, cobiçando no máximo uma vaga na Sul-Americana…de 2009. Se isso acontecer, aí sim, a prioridade tem que ser a Sul-Americana – a conquista fará bem ao coração da torcida e ao bolso dos jogadores.

E encerraremos 2008 com dignidade e felicidade.

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Dois times, duas histórias

22 01UTC 10amWed, 01 Oct 2008 00:28:46 +0000ç2008, 2008 · 3 Comentários

Willian, Perivaldo, André, Cláudio e Cley; Nelson, Suélio, Eliel e Marcelo; Alessio e Sinval,

Nenhum grande nome, certo? Muito, mas muito longe disso. Mas um time raçudo, brioso, que se superou para vencer o mais importante título internacional da história alvinegra.

Esse time, como bem lembrou o Rodrigo do Cantinho Botafoguense, foi campeão da Conmebol em 1993. Por isso, entrou para a história do Botafogo.

Castillo, Alessandro, Renato Silva, André Luiz e Triguinho; Diguinho, Túlio, Carlos Alberto e Lúcio Flávio; Jorge Henrique e Wellington Paulista.

Grandes nomes, certo? Correto. Mas, esse time, por enquanto, só entrou para a história alvinegra por dois motivos: pelos quase-títulos e pelo chororô.

Vamos ver se, nessa quarta-feira, eles viram o jogo ou aceleram de vez o fim de 2008.

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Os Intocáveis: Mensagem Para Vocês

22 25UTC 09pmThu, 25 Sep 2008 23:06:42 +0000ç2008, 2008 · 2 Comentários

                    

No comentário sobre o jogo contra o América, já espinafrei o suficiente Wellington Paulista, André Luiz, Zé Carlos e outros pernas-de-pau que me causaram engulhos com suas atuações ridículas na noite de quarta-feira.

Agora, o desabafo mira outro alvo – e vai atingir até o meu jogador predileto desse grupo do Botafogo. É hora de criticar as cabeças coroadas, justo os que dizem ter maior comprometimento com o clube: Os Intocáveis.

É inadmissível que Túlio, Jorge Henrique e Lúcio Flávio tenham atuado de forma tão apática na Colômbia. Por um motivo simples: os três, mais Renato Silva, estavam entre os titulares que entraram em campo no desastre monumental contra o River Plate, em Buenos Aires, no ano passado.

Eles sabem  – ou melhor, deveriam saber – o que representou para o torcedor alvinegro aquele jogo. E o que eles próprios sofreram nos dias seguintes à eliminação: calcinhas, pipocas, ironias, o desmantelamento precoce de um sonho alimentado durante todo o ano.  E, por isso mesmo e por serem sujeitos inteligentes, tinham consciência que haveria uma expectativa de redenção por parte da torcida quando surgisse novamente a oportunidade de disputar uma partida no exterior.

E aí, o que eles (não) fazem? Simplesmente desaparecem em campo na Colômbia. Somem da partida, cometem erros primários, têm dificuldades até de encontrar posicionamento. Em resumo: se omitem.

O time pode se classificar para a próxima fase da Sul-Americana, ainda mais depois que ficamos sabendo nessa quinta-feira que os salários dos jogadores do América de Cali estão atrasados.

Mas a segunda participação no exterior de Jorge Henrique, Túlio e Lúcio Flávio foi tão lastimável como a de 2007.

Nesse momento, não quero ouvir declarações de amor nem entrevistas ponderadas e inteligentes. Nem quero que nenhum dos três seja barrado – não, eles têm que começar jogando, sim, pois não há melhores opções no banco. Quero agora que os três façam o seu trabalho e classifiquem o Botafogo para a terceira fase da Sul-Americana. E aí, em outro jogo fora do território nacional, consigam enfim se redimir do papelão que desempenharam em dois anos consecutivos.

É pedir muito ou o máximo de ambição que esse grupo tem condição de oferecer à torcida é o tricampeonato da Taça Rio?

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América 1 x 0 Botafogo: Um time inofensivo

22 25UTC 09amThu, 25 Sep 2008 00:52:54 +0000ç2008, 2008 · 8 Comentários

                            

Os comentaristas costumam dizer que o Botafogo é um dos times mais ofensivos da temporada.

Quá, quá, quá.

Pelo que tem demonstrado nas últimas partidas, o Botafogo é um dos times mais inofensivos da temporada.

Vamos ao elementar: para fazer gols, é preciso criar oportunidades, certo? Então, se o time não cria chances, jamais poderá convertê-las. Eis o Botafogo em setembro de 2008.

Foi esse o time que prometeu jogar na Colômbia com o mesmo espírito da partida contra o Coritiba? E nós acreditamos? Palermas, é isso o que somos!

Pois o time jogou igualzinho como no último domingo contra a Portuguesa: desinteressado, disperso, permitindo ser acossado por um adversário fraco. E, inaceitável, o Botafogo jogou sem ofensividade – em todos os sentidos: tática, técnica, espiritual. Sem vigor, sem tesão. 

Pior não foi perder para o limitadíssimo América de Cali, que me lembrou o brioso Auto Esporte jogando no Estádio da Graça, em João Pessoa (Alô, Pereirão! ). Mas sim, perder sem se importar em reverter dentro de campo o resultado adverso. Como se fosse rotina perder: uma coisa banal, tipo ir à padaria, trocar uma lâmpada ou tirar um cochilo no sofá depois da macarronada.

A nossa sorte, que nos fez escapar de um resultado pior, foi o longo tempo de respeito que o América nos concedeu – graças, obviamente, à história do clube, não a esse time brocha que entrou em campo. Se eles apertassem mais (e tivessem maior qualidade técnica), fariam mais, pois o André Luiz estava tentando entregar desde o início da partida – até que conseguiu quando, de forma desastrada, cortou uma jogada na área na cabeça de Túlio e a bola sobrou limpa para o atacante americano fuzilar e marcar o único gol do péssimo jogo.

De resto, mais do mesmo: Lúcio Flávio sumido, Jorge Henrique idem, Carlos Alberto tentando alguma coisa sem conseguir grande coisa, nenhuma armação de jogadas. Para piorar, Thiaguinho estava numa noite horrorosa, Túlio idem.

E Wellington Paulista, meu deus, o que é o Wellington Paulista? Ou melhor, o que não é o WP? Não consegue matar uma bola, completar uma jogada, chutar a gol; nada, nada, nada. Um atacante com o pior dos defeitos no seu ofício: inofensivo. Antes eu sentia solidariedade por ele, depois um pouco de pena. Agora, só raiva. Muita raiva.

Foi sempre assim? Não, o time até jogou de forma razoável nos primeiros 15 minutos do segundo tempo. Mas depois recuou para garantir o empate. Deu no que deu. De novo.

Se é para continuar assim na Sul-Americana e depois pegar adversários fortes, na boa: é melhor sair na próxima semana, para evitar um novo tombo monumental como o contra o River Plate em 2007.

Assim eles jogaram:

Castillo – O melhor em campo. Ao menos, demonstrou raça e espírito de competição ao longo dos 90 minutos. Uma lambacinha que não rendeu nada, algumas boas saídas, tentativa de armar jogadas, e sem culpa no gol. Nota 6

Thiaguinho - Tinha uma avenida para evoluir no setor direito do América, mas errou tudo que tentou. De novo. Será que o feitiço acabou? Nota 2. Foi substituído por Alessandro, um ótimo cruzamento e pouco a acrescentar. Nota 3,5

Renato Silva – Por conhecer suas limitações, não inventou e não comprometeu muito. Mas também perde todas nos escanteios, que coisa. Nota 5

André Luiz – Uma partida tenebrosa. Perdeu todas as disputas por cima, quase todas por baixo, e apelou para a violência, fazendo faltas desnecessárias e perigosas – como a que resultou em uma bomba no travessão. É essa a raça que a gente precisa? Não, obrigado. Nota 2

Triguinho – Furadas, chutões e nada de apoio. Nota 3 Deu vez a Zé Carlos, que me impressiona pela capacidade de irritar mesmo com pouquíssimo tempo em campo: sempre faz uma lambança ridícula, e pede desculpas com as mãos estendidas. Trata-se de um fenômeno. Nota 1 

Diguinho – Razoável. Bons desarmes, muitos passes errados. Nota 5

Túlio -  Estranhamente perdido no combate, como se estivesse desentrosado, out of time Ainda tentou armar as jogadas do ataque, já que o cara que deveria fazer isso (usa braçadeira, não é difícil de adivinhar) tinha sumido. Mas simplesmente não se encontrou dentro de campo: pena que o André Luiz o achou logo no lance do gol colombiano. Nota 3

Carlos Alberto  – Repetindo o comentário da Portuguesa: razoável no primeiro tempo, sumido na segunda etapa. Mas é o único que tenta o tempo inteiro. Quando ele for embora, as coisas ficarão ainda piores pra gente. Nota 5

Lúcio Flávio – Entrou em campo… nos primeiros 15 minutos do segundo tempo, quando até voltou para marcar, tentou tabelas e chegar na área colombiana. Depois, sumiu novamente. Na única falta perigosa a nosso favor, não conseguiu fazer a bola passar nem por cima da barreira. Escanteios inúteis, passes laterais improdutivos, o de sempre: empolgação, só na hora de trocar camisa com um adversário para levar para a família. Nota 1

 Jorge Henrique – Como no jogo contra a Portuguesa, parecia disperso e contribuiu para a falta de ofensividade do time. Nota 2 Deu lugar a Lucas Silva aos 31 minutos do segundo tempo que, quase não tocou na bola, mas ao menos imprimiu velocidade no exíguo tempo que lhe sobrou. Merece entrar, pelo menos, no intervalo. Nota 5

Wellington Paulista – Não tenho mais o que dizer, a não ser lamentar que não tenha sido negociado no meio do ano: teria deixado alguma saudade por conta do Carioca e escaparia das toneladas de palavrões que despejo em cima dele a cada jogada ridiculamente perdida. Nota 1

Ney Franco – O que conquistou ao chegar, já desmoronou. Três derrotas consecutivas e, pior, um time vacilante na defesa e sem nenhum poder de criação nem de finalização.  Chegou a hora de mostrar que é técnico de verdade, não distribuidor de camisa. É hora de mexer. Nota 4

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