O jogo não acabou para o Botafogo aos 47 minutos do segundo tempo, quando Laio balançou as redes em boa cabeçada.
Não, o resultado já estava decidido há muito tempo. Mais precisamente, logo após o primeiro gol do Vitória, quando Lúcio Flávio rolou uma bola açucarada para Victor Simões e ele, cara a cara com Gleguer (goleiro reserva que, para nossa infelicidade, teve uma noite de fechar o gol), chutou fraquinho e desperdiçou a chance do empate.
Porque, como diria o mesmo Gleguer”, “hoje em dia futebol é concentração – não se pode distrair nem um minuto”. Concentração significa ter atenção e precisão na hora de finalizar – e não dar munição ao inimigo na hora mais perigosa: o contra-ataque, como fez Thiaguinho no lance que gerou a abertura do placar no Engenhão. Aliás, naquele lance Thiaguinho falhou duplamente – ao ser desarmado e ao não acompanhar o desenlace da jogada pelo seu setor.
Quando Victor Simões perdeu o jogo, o time inteiro sentiu o baque e tremeu. Simplesmente desmontou. Poucas vezes vi uma equipe desmoronar por completo, e de forma tão rápida, como ocorreu com o Botafogo depois do gol do Vitória. Até por que, grande ironia, o time estava jogando bem, ditando o ritmo da partida, com confiança. Rodrigo Dantas, que se destacava até então, simplesmente sumiu, desapareceu, escafedeu-se. E Victor Simões, que estava se movimentando com perigo, passou a ser o de sempre: uma nulidade.
Mas o segundo tempo do time foi algo simplesmente tenebroso. A entrada de Laio no lugar de Jônatas, caso não tenha sido provocada por contusão do titular, é um dos maiores equívocos de um treinador à frente do Botafogo.
Porque, meus caros, a verdade é nua e crua: um time que não sabe finalizar não tem nenhuma chance em uma competição como o Brasileirão. Finalizamos 11 vezes apenas no primeiro tempo, mas e daí? Não conseguimos empurrar a bola para as redes, por total incompetência de jogadores experientes – VS, LF (e os gols de falta, cadê?), Jônatas – e dos iniciantes – a tentativa do Laio, no meio da segunda etapa, foi tão ridícula quanto o lance do Fahel pela Sul-Americana.
Mas o que fez o Vitória para ganhar o jogo? Tomou uma providência simples. Seguiu a orientação de seu treinador que, quando viu os espaços deixados pelos flancos por Thiaguinho e Eduardo, mandou seus laterais se posicionarem como alas, ocupando território alvinegro. Deu certo. E muito certo.
No segundo tempo, até a expulsão do Emerson (que achei exagerada, mas no resto o juiz esteve bem), o Botafogo simplesmente não conseguiu criar nada. Nem pelas laterais nem pelo meio. Com dez em campo, e um zagueiro a menos, a zaga ficou exposta como já conhecemos muito bem e tomou um passeio dos velozes jogadores do clube baiano – sim, o Mancini já descobriu há tempos, inclusive foi por isso que barrou LF no Santos, que um dos segredos do futebol competitivo é a velocidade coletiva, não apenas de um ou dois ciscadores lá na frente.
No mais, deu pena ver o Guerreiro, o único que jogou alguma coisa no primeiro tempo, tão pregado ao final da partida, tomando ultrapassagens como se fosse um kart contra um Fórmula-1. E, na zaga totalmente aberta e indefesa, até o Lúcio Flávio correu como um louco para evitar mais um gol do Vitória.
É duro, mas tenho que concordar com a torcida, que gritou “burro” para o Estevam, caso ele tenha tirado o Jônatas para colocar o Laio. Mas é que o time virou um bando, frouxo e inerte, pronto para ser abatido. Como foi. Mas, na boa, quais são as outras opções que ele têm no banco? Eu vi quem estava lá – e, fora os que entraram, a única opção era o Léo Silva. Não dá, certo.
E agora, diretoria? Vão demitir o Estevam? Vão reintegrar o Michael? Vão chamar o Dodô para fazer os gols que VS não sabe fazer? Vão trazer o Joílson? Me poupem… Criem vergonha na cara. Se temos um time sem vergonha, o culpado não é o Estevam mas quem permitiu a montagem de um grupo tão fraco e incompetente para a temporada 2009. Se olhem no espelho que lá vocês encontrarão os verdadeiros culpados por esse vexame indigno de uma data tão importante como a inauguração da estátua do Nilton Santos – que deixarei para comentar em outro post, para não misturar ouro com esterco.
E assim eles deram vexame:
Jefferson – Sem culpa nos gols. Não fosse por ele, tinha sido ainda pior. Nota 6
Thiaguinho – Desastroso na marcação e no apoio. A praga do Alessandro deu certo. Nota 1
Juninho – Além do gol contra por imprudência, deixou seus nervos mandarem e tremeu feio. Nota 2
Wellington – Facilmente envolvido pelos atacantes adversários. Nota 3
Emerson – Era o menos ruim até ser expulso e prejudicar o time de vez. Nota 1
Eduardo – Vulnerável na marcação, nulo no apoio. Tomou sufoco do Abedi. Nota 1
Guerreiro – Tentou ao máximo, mas sozinho não pode fazer milagre. Nota 5,5
Jônatas – Primeiro tempo razoável. Foi substituído no intervalo. Nota 5
Rodrigo Dantas – Estava bem até perder um gol e o time tomar o primeiro. Depois, sumiu. Nota 3
Lúcio Flávio – Pouca criatividade, poder nulo de definição. Ao menos correu na segunda etapa. Nota 3
Victor Simões – Hoje me deu saudades do Wellington Paulista: é sério. Nota 1
Laio – Lamentável durante os 45 minutos. Fez um belo gol de cabeça, mas já não valia mais nada. Nota 1
Marquinho – O cruzamento do gol e nada mais. Nota 3
Jobson – Boa movimentação no pouco tempo. Pode render mais do que Ricardinho – o que é o mínimo que podemos esperar. Nota 5
Estevam Soares - Já não tem material para trabalhar. Para piorar, tomou um nó tático do Vagner Mancini e seu time foi facilmente batido. A barração que fez (Alessandro por Thiaguinho) pareceu uma maldição. E suas substituições não deram em nada. Nota 1
SporTV – Agradeço por ter marcado a partida para as 18h30 de domingo. Pelo menos a raiva por mais uma atuação ridícula do Botafogo só começou quando o fim de semana já estava praticamente encerrado.