Fogo Eterno

Entradas do Agosto 2009

Botafogo 3 x 3 Grêmio: Privação de sentidos

22 30UTC 08pmSun, 30 Aug 2009 21:22:25 +0000ç2009, 2008 · 5 Comentários

andrelimagremio

Estevam fez tudo direitinho no inicio da partida.

Escalou três atacantes, colocou Michael no meio e armou um 5-4-1 ofensivo e eficiente.

O Botafogo, depois de dois ou três minutos de vacilo, acelerou conforme o seu treinador tinha traçado e treinado.

Deu certo: o time mostrou volume de jogo, alugou o meio de campo e pressionou o adversário. Enfim, mostrou quem era o dono da casa. Reinaldo, mais eficiente que Victor Simões e André Lima juntos, faz um gol sofrido, mas merecido.

Botafogo 1 x 0… e aí o Wellington resolveu brincar de Emerson. Ao tentar um chutão, erra feio e, com a pixotada, deixa a bola para o adversário dentro da área. Privação temporária de sentidos. 

Uma lambança inacreditável que, vale ressaltar, deve ser compartilhada também com Castillo (a bola passou por baixo dele, na pequena área) e com a furada grotesca do Alessandro depois que o Jonas furou duas vezes – provavelmente, o gol mais ridículo do ano. E, assim, nasce o empate do Grêmio.

Botafogo tem um branco e perde o equilíbrio – Michael, que estava muito bem, some da partida e os espaços nas costas de Tiaguinho se mostram ainda mais perigosos. 

Vem o segundo tempo e Reinaldo dá um lançamento preciso para o Victor Simões, até então presença nula que, enfim, conclui de forma certeira e faz Botafogo 2 x 1.

Aí o senhor Rodrigo Cintra, e seu auxiliar que não vou perder tempo procurando o nome, resolvem interferir no resultado. Num cruzamento de uma bola que saiu por pelo menos meio metro, eles ignoram a irregularidade e deixam o lance seguir – Jonas acerta um chute dificílimo e o Grêmio consegue novamente o empate.

Não tem santo que consiga controlar os nervos – e o Botafogo é mais uma vez prejudicado no lance do desempate gremista: a falta que deu origem ao gol de Souza foi cometida inicialmente pelo jogador adversário. Para culminar, Castillo faz golpe de vista, sofre também uma privação temporária de sentidos e deixa a bola entrar, numa falha terrível, indesculpável. Grêmio 3 x 2.

Parêntese: para não atrapalhar a análise da partida, não vou comentar o lance de privação de sentidos do senhor Rodrigo Cintra, ao deixar de marcar um pênalti claríssimo quando o zagueiro gremista meteu a mão na bola e o juiz resolveu interpretar como bola na mão- ainda mais porque o autor da infração levanta o braço para interceptar o cruzamento do Thiaguinho. Acho que, no top 5 de erros contra o Botafogo, esse merece um lugar no pódio.  

Aí, meus caros, as entradas de Renato, Jônatas e Ricardinho melhoraram um pouco – especialmente por conta dos dois últimos. Estevam disse que tirou o Reinaldo porque ele estava cansado – mas o autor do primeiro gol, com a língua de fora, se mostrava bem mais útil e perigoso do que Victor Simões e André Lima juntos.

 

Para que o destino não fosse tão cruel com um resultado totalmente enganoso, Leandro Guerreiro foi premiado com um gol de sorte – a bola desviou no camisa 5 do Grêmio, enganou o bom goleiro Victor e caiu nas redes. E dava até para virar a partida se o Ricardinho não tivesse perdido um gol cara a cara com o Victor. Esse, sim, teria sido o resultado mais justo – a vitória por 4 x 3,  mesmo com as falhas individuais e com as falhas mal-intencionadas do árbitro.

No mais, parabéns ao presidente Maurício Assumpção pela atitude de demonstrar publicamente sua indignação. Demorou para reagir, hein, presidente! Mas não coloque a culpa pela contratação de Léo Silva, Fahel e Ney Franco na conta do Rodrigo Cintra…

Atuações:

Castillo – Tinha tudo para ser um bom goleiro: personalidade, experiência, garra, catimba. Só que não tem altura e não consegue compensar com atuações extraordinárias. As falhas no primeiro e no terceiro gol são lastimáveis. Nota 3

Alessandro – Raça e nada mais. Nota 4

Wellington – Uma noite de Emerson. Nota um

Juninho – Nada demais. E os gols? Nota 3

Tiaguinho – Erra passes de meio metro, e ainda deixou Perea se criar nas suas costas. Não dá pra jogar ao mesmo tempo que Alessandro: dois jogadores limitados intelectualmente no mesmo sistema defensivo é demais. Nota 4,5

Leandro – Mereceu o gol pela luta, mas também não fez a diferença. Nota 5,5

Michael – Achou seu lugar no meio, e tem se mostrado bem enturmado com LF e Reinaldo. Falta manter a regularidade. Nota6

Lúcio Flávio – Conduziu o time nos melhores momentos do Botafogo e demonstrou empenho. Nota 7

Reinaldo – Ao menos nesse domingo, compensou a falta de preparo com jogadas perigosas, lúcidas e  um gol. Nota 7

André Lima – Tem que jogar menos pra galera e mais para o time. Nota 5

Victor Simões – Fez um gol que, se perdesse, merecia ter o contrato rescindido ainda no vestiário. Incrível a dificuldade de completar uma jogada e de dominar a bola. Nota 4

Jônatas – O melhorzinho dos três que entraram na segunda etapa. Mas está com uma barriga… Nota 5

Ricardinho – Perdeu um gol feito nos acréscimos. Será mais um homem quase-gol? De toda forma, parece arisco e ligado na partida. Nota 4

Renato – Nada, claro. Nota2

Estevam – Armou bem o time e deve manter essa escalação ofensiva, mesmo jogando fora, contra times que também estão desesperados. Nada de voltar com Fahel, L éo Silva, etc. É melhor conquistar uma vitória do que dois empates. Nota 6

SporTV- Comentarista Felipe Awi ficou em cima do muro pra dizer que o lance do pênalti era questão de interpretação: até o locutor cravou a irregularidade. Foi preciso que o RMP (logo quem!) e o Telmo Zanini, após a partida, falassem que tinha sido penalidade clara e que o Botafogo tinha sido, sim, muito prejudicado pela arbitragem para o Awi admitir que podia ter sido pênalti. Que dificuldade e má-vontade de enxergar o que todo mundo viu…

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Botafogo-DF 1 x 0 Unaí: Lição de casa

22 29UTC 08pmSat, 29 Aug 2009 18:35:04 +0000ç2009, 2008 · 7 Comentários

Com a presença ilustre do presidente Maurício Assumpção, mochila preta nas costas e careca reluzente (anunciado no intervalo e recebido com indiferença – nem aplausos nem vaias), o Botafogo-DF estreou em casa, no estádio do Cave no Guará, pela segunda divisão do futebol candango.

Dessa vez, Túlio não marcou – teve apenas duas chances claras, ambas no segundo tempo: na primeira delas, furou; na segunda, concluiu de forma certeira, mas o goleiro adversário se esticou todo e fez uma defesa sensacional. Pelo esforço na segunda etapa, quando o Botafogo-DF jogou muito mais do que na etapa inicial criando boas jogadas e tendo volume de jogo, foi muito aplaudido na saída.

No mais, o Cave, na cidade-satélite do Guará e bem pertinho do Plano Piloto pra quem não mora em Brasília, é um estádio bem acolhedor e ganhou uma guaribada da diretoria do Botafogo-DF para receber a torcida alvinegra.  A diretoria daqui fez a lição de casa em menos de dois meses: contratou segurança particular (até com detector de metais!), espalhou bandeiras nos postes, escudos, instalou sistema de som pra tocar o hino no intervalo e no final da partida, distribuiu bandeirinhas para as crianças… enfim, criou um ambiente alvinegro. Ao contrário do Engenhão, que até hoje não tem a cara do Botafogo.

O kartódromo bem do lado do estádio cria uma situação curiosa: os karts ficam zunindo durante toda a partida, e o barulho é até mais alto do que os gritos que vêm de dentro do campo.

No mais, o clima na arquibancada é bem familiar, de confraternização entre os torcedores de diferentes gerações, e a comparação com os jogadores do Botafogo é inevitável.

Quando o veterano Donizeti se esticou todo e fez uma ótima defesa, um gaiato grito:

- Essa o Castillo não pegava!

E quando ia ser anunciado o nome do vencedor do sorteio que premiaria o felizardo com uma passagem aérea e hospedagem para ver Botafogo x Grêmio no Engenhão, outro torcedor espirituoso gritou:

- Quem ganhou foi o Túlio! E ele vai chegar e vai direto pro campo no lugar do Victor Simões!  

Com três vitórias em três partidas, o Botafogo-DF é líder isolado da segundona candanga. Saiu aplaudido de campo e mostrou que tem condições de criar raízes e conquistar os corações alvinegros dos moradores da capital do país.

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Let´s twist again, Estevam!

22 29UTC 08amSat, 29 Aug 2009 02:25:17 +0000ç2009, 2008 · 3 Comentários

estevamadrian

Apesar de parecer o Ratinho, o nosso treinador tem mesmo é um jeitão de Jerry Adriani, não?

jerryadriaestevamjerry

Pena que, por enquanto, graças a Fahel e sua turma desafinada e descerebrada, a gente continua dançando no mesmo ritmo do Ney Franco: Na beira do caos, na beira do caos, piração total…

No mais, quem sabe o Túlio não mostra nesse domingo o seu espírito de torcedor botafoguense e derruba o André Lima na área pra gente ganhar com gol de pênalti, cobrado pelo Lúcio Flávio, o melhor jogador do Botafogo das últimas partidas? Mas tem que ser um pênalti escandaloso, senão não tem o menor perigo de o juiz marcar…

tuliolustosa

Ajuda a gente, Túlio! Como diria o Geninho ao Hélio dos Anjos na maior cara-de-pau depois da vitória do náutico em cima do Goiás, “a gente precisava mais dos três pontos do que vocês…”

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Botafogo 1 x 1 Cruzeiro: Medíocre ciranda

22 27UTC 08pmThu, 27 Aug 2009 23:22:47 +0000ç2009, 2008 · 4 Comentários

ciranda

Jogador medíocre que compromete o desempenho de um time inteiro (Fahel), jogador que não consegue finalizar uma vez de forma certeira (Victor Simões), jogador que não define a partida mesmo tendo seguidas chances (André Lima), jogador que não sabe fazer o bê-a-bá de sua posição quando necessário como marcar um escanteio e ainda distribui bisonhas pixotadas (Juninho), jogador que não entra nunca em forma (Jônatas), juiz que falha em lance crucial ao marcar impedimento inexistente, técnico que confia em jogador medíocre que compromete o resultado final do time (Fahel).

Assim, mais uma vez, fecha-se a ciranda da mediocridade no Engenhão.

PS- O que se salvou:  Michael, pela qualidade do passe vertical e visão de jogo, tem que jogar no meio-de-campo. Lúcio Flávio (foto) fez um belíssimo primeiro tempo e um gol de centroavante que nenhum dos dois atacantes de ofício teve competência pra fazer, em lances até mais fáceis. Castillo salvou o time da derrota na etapa final e, acreditem, Emerson não comprometeu.  Já Fahel e Juninho, se o Estevam continuar acreditando em ambos, serão os comandantes da marcha rumo ao despenhadeiro.

Foto: Agência Lance

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Lições para o estudante Assumpção

22 27UTC 08amThu, 27 Aug 2009 02:35:46 +0000ç2009, 2008 · 8 Comentários

Chamou minha atenção uma nota discreta, sob o título “Bem na hora”, no final da coluna “Negócios & cia”, nas páginas de economia de O Globo, edição de quarta-feira:

“Quatro dirigentes do Botafogo, incluindo o presidente Maurício Assumpção, se matricularam na primeira turma carioca do MBA Gestão e Marketing Esportivos da Trevisan Escola de Negócios. As aulas começam dia 31.”

Curioso que sou, descobri no site oficial da Trevisan que são 18 meses de curso – aulas semanais, toda segunda e terça, das 19h às 22h30.

O objetivo da especialização é assim descrito: “Formar e preparar profissionais de diversas áreas para atuarem e interagirem com as necessidades da gestão e do marketing esportivo, desenvolvendo capacidade gerencial, liderança e habilidade negocial e criativa”.

Bacana a atitude de nosso presidente, demonstra humildade, vontade de aprender, iniciativa, disposição etc etc . Mas, sem querer ser chato, numa boa: o Assumpção não tinha que ter feito esse curso ANTES de assumir a presidência do clube?????????

E será que, entre alguns itens do curso (Modelos de instituições esportivas, RH Esportivo, Administração no esporte), não dá para encaixar um dos tópicos abaixo?

* Como cumprir promessas de campanha

* Como contratar reforços de qualidade

* Como desconfiar de técnicos milagreiros

* Como se livrar do Emerson (vai jogar nessa quinta!)

* Como administrar um estádio de forma eficiente

* Como salvar o clube de um novo rebaixamento

E, o mais importante:

* Como honrar as tradições de um clube glorioso

Alguma outra sugestão para incrementar o MBA do Assumpção?

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JH, WP e Túlio: Agora, adversários

22 26UTC 08amWed, 26 Aug 2009 02:50:42 +0000ç2009, 2008 · 7 Comentários

A tabela do Brasileirão aprontou uma tripla coincidência para o Botafogo: enfrentar, com apenas sete dias de diferença, três ex-jogadores que foram destaques do clube em 2007 e 2008.

Primeiro, foi o Jorge Henrique, que simplesmente infernizou a defesa alvinegra no último domingo e ainda cavou um pênalti pra lá de maroto.

Nessa quinta-feira é a vez de o Wellington Paulista entrar em campo com a missão de balançar as redes para o Cruzeiro no Engenhão – se for o WP do Campeonato Carioca, podemos nos preocupar; se for o do Brasileirão 2008, uma inquietação a menos.

Para culminar, domingo tem o Grêmio de quatro ex-botafoguenses: Autuori, Rafael Marques, Joílson e Túlio. Este último jogará pela primeira vez contra o Botafogo no Engenhão, onde ele fez um dos mais belos gols da história do estádio, em cima do Cruzeiro, na goleada por 4 x 1 em 2007: um tirambaço da intermediária, que entrou no ângulo, sem nenhuma chance para o Fábio.

Vamos torcer para que ele não acerte o pé dessa vez…

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“Isso foi pênalti?! Ô louco!!!”

22 24UTC 08pmMon, 24 Aug 2009 23:45:52 +0000ç2009, 2008 · 4 Comentários

O título desse post é a reação do Rogério Ceni ao ver pela primeira vez o salto do Jorge Henrique na área do Botafogo, que gerou o pênalti do terceiro gol corintiano no último domingo, no Pacaembu.

O goleiro do São Paulo também ficou perplexo porque não foi marcada penalidade em cima do Victor Simões ainda no primeiro tempo. “Nossa, mas ele não marcou?”, comentou Ceni, que viu os lances do jogo coríntia 3 x 3 Botafogo pela primeira vez no programa Bem amigos, comandado nessa segunda-feira pelo tresloucado Luís Roberto. A espontaneidade do Rogério desconcertou os “comentaristas especializados” – entre eles o RMP, o único ser humano do planeta Terra que enxergou um puxão de camisa do Fahel na falta que originou o segundo gol corintiano.

No mesmo programa, o Caio Ribeiro, que geralmente não fala nada de especial (muito pelo contrário), fez um oportuno lembrete às torcidas dos times cariocas – e que reproduzo aqui por conta dos dois próximos jogos no Engenhão: “Não deixem para apoiar o time nas três últimas rodadas, porque as torcidas dos outros times que estão ameaçados pelo rebaixamento vão apoiá-los com todas as forças daqui pra frente. Quem ficar pegando no pé de jogador só vai fazer a perna do cara pesar cem quilos…”

Dessa vez, o Caio tem toda razão. Ainda mais porque o Engenhão, sem grande número de torcedores, se torna campo neutro – ao contrário da Ilha do Retiro, Aflitos, Couto Pereira, Arena da Baixada, todos caldeirões em potencial.

No mais, bem que a diretoria poderia colaborar e reduzir o preço dos ingressos para os próximos dois jogos, não?

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corinthians 3 x 3 Botafogo: O BBB do Estevam

22 23UTC 08pmSun, 23 Aug 2009 19:23:13 +0000ç2009, 2008 · 5 Comentários

botacorin

O Big Brother Botafogo, sob comando de Estevam Soares,continua a pleno vapor – é o que eu tento acreditar.

A cada falha grave, um candidato é eliminado: o primeiro foi Emerson, após a atuação ridícula contra o Santo André – já voltou para o banco, substituído por Wellington.

Depois desse domingo, é a vez de Léo Silva dar adeus: já saiu inclusive no intervalo, se Deus quiser para nunca mais voltar a campo. Pois foi por conta do pênalti infame que ele cometeu no final do primeiro tempo, que deveria ser motivo para desconto nos vencimentos do ipatinguense, que o corinthians abriu o marcador (não ignoremos também a contribuição do Alessandro que errou um passe e possibilitou o contra-ataque corintiano).

Até então, o Botafogo se comportava bem, jogando no contra-ataque, deixando alguns espaços mas criando boas chances – na melhor delas, LFlávio enfiou uma bola primorosa para André Lima, que chutou em cima do goleiro corintiano.

Mas, se o Estevam errou ao escalar inicialmente Fahel e Léo Silva, acertou ao substituir o segundo por Reinaldo para a etapa complementar.

O time melhorou e logo obteve o empate, num cabeceio preciso do nosso centroavante-que-nunca-entra-em-forma.

Mas aí o juiz resolveu se transformar na vedete maior do espetáculo. Já tinha ignorado um pênalti em cima do Victor Simões no primeiro tempo. Ele queria mais, porém: como a partida estava empatada, ”o aspirante à Fifa” inventou uma falta do Fahel bem próxima à área de Castillo – e nós sabemos que, desde a semi da Copa do Brasil, que falta perigosa a favor do coríntia contra o Castillo é gol – nosso goleiro nem se mexeu.

Mesmo assim, o Botafogo continuou bem posicionado – defensiva e ofensivamente. Reinaldo foi mais eficaz do que tinha sido Victor Simões ao longo de toda a primeira etapa. O time chegava com algum perigo até que Alessandro fez uma belíssima jogada, cruzando para André Lima completar e empatar novamente a partida utilizando, nessa ordem, a cabeça e a mão para balançar as redes.

E vamos combinar que esse não foi o erro mais grave da arbitragem – muito pelo contrário. O pior dos equívocos viria na sequência, quando Jorge Henrique aprontou uma simulação escandalosa e o juiz foi na dele para marcar pênalti.

(aliás, podem dizer o que quiser – depois desse lance, não quero ver o JHenrique de volta a General Severiano nem se tiver sem clube, precisando de tratamento fisioterápico de reabilitação, no fim da carreira: vá cavar pênalti contra outros, não contra o clube que o projetou) 

Mesmo novamente prejudicado, o Botafogo continuou na luta. E foi graças a esse espírito de entrega, elogiado pelo Estevam ao final da partida, que conseguiu uma falta perigosa, cobrada à perfeição pelo Lúcio Flávio: 3 x 3.

Depois, o coríntia ainda tentou pressionar e o medo do gol nos últimos minutos novamente veio à tona, mas o time suportou as tentativas e saiu com um pontinho suado do Pacaembu.

Teoricamente, o resultado foi bom. Ainda mais nas circunstâncias desfavoráveis. Mas para acabar com a síndrome de Robin Hood (tirar ponto dos grandes fora de casa e doá-los no Engenhão para os pequenos), é preciso vencer as duas próximas partidas.

Alô, Estevam, vou facilitar as coisas pra você: Fahel, Léo Silva, Emerson estão eliminados no seu Big Brother! Victor Simões, Michael e Alessandro têm que ir para o paredão!

Pode colocá-los pra fora da casa de General Severiano. Antes que o eliminado seja o próprio Botafogo. 

Assim eles jogaram:

Castillo - Falhou no segundo gol corintiano. Enfim, pegou um pênalti, mas rebateu nos pés do deliquentezinho dentucinho que não terá seu nome mencionado nesse blog. Nota 5

Alessandro – Uma falha que originou o primeiro gol do adversário, uma bela jogada no segundo empate alvinegro. Fora isso, deixou muitos espaços. Nota 4

Juninho - Inseguro no primeiro tempo, melhorou um pouco na segunda etapa. Nota 5

Wellington – Perdeu a dividida no primeiro gol corintiano, mas fez boas antecipações. Nota 5

Leandro Guerreiro – O melhor da defesa – quando os zagueiros estavam batidos, foi ele quem salvou. Nota 6,5

Michael – Mal na marcação, irregular no apoio – Jorge Henrique se criou em cima dele. Nota 4 Deu lugar a Thiaguinho que demonstrou raça mas caiu na besteira de dar a senha para JH fazer o seu teatrinho e obter um pênalti. Nota 4

Fahel – Perdido, nem apoiou nem marcou com eficiência. Nota 3

Léo Silva – Pelo pênalti, jamais poderia voltar a vestir a camisa do Botafogo. Nota ZERO

Lúcio Flávio – Acho que até os seus mais odiosos detratores (e são muitos) já perceberam que, sem ele, o Botafogo praticamente não cria chances de gol. Nesse domingo, além de um primeiro tempo inteligente do ponto de vista tático e técnico, foi altamente eficiente na segunda etapa: cobrou escanteio na cabeça de Reinaldo e fez uma bela cobrança de falta. Nota 7,7

André Lima – Raça, um gol de oportunismo e muita briga – com os adversários e com a bola. Quando resolve enfeitar e tenta corta-luz ou jogada de calcanhar, dá vontade de esganar. Nota 6

Victor Simões – Um atacante que não consegue finalizar pois a bola sempre cai no pé que não é o seu forte. Nota 2

Reinaldo – Em 45 minutos, fez bem mais que Victor: se só pode jogar por esse tempo, tem que começar como titular. Nota 6

Estevam Soares – Errou a escalação ao congestionar o meio com volantes medíocres, mas corrigiu no intervalo e soube fazer do Botafogo um time guerreiro e com poder de reação. Nota 6

Transmissão de Luis Roberto, da Rede Globo - Classificou Leandro Guerreiro de “multifuncional” (seria nosso volante uma impressora HP?),  insistiu que tinha sido pênalti em cima do JH quando até o Marsiglia desceu do muro para garantir que não tinha sido nada, elogiou as imagens da chuva que podia ser admirada “em super câmera lenta”… Nota ZERO

DDD: Delinquentezinho Dentucinho Dodóizinho do Ronaldo - Não vou escrever aqui o que eu desejei para o resto da carreira desse rapaz após seu gesto na comemoração do terceiro gol porque tem crianças que visitam esse espaço. Só quero lembrá-lo que, da última vez que ele tentou ridicularizar o Botafogo, sofreu uma contusão grave. Praga de botafoguense tem poder, meu caro: prepare-se.

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Prolongando a mágica: Túlio dá outra vitória ao Botafogo-DF

22 22UTC 08pmSat, 22 Aug 2009 18:10:20 +0000ç2009, 2008 · 4 Comentários

Direto do Mané Garrincha, onde rolou na tarde desse sábado o segundo jogo do Botafogo-DF, um amigo alvinegro faz o relato:

“Vim trazer meu filho para ver o Túlio jogar e fazer gol. Não me arrependi. No primeiro tempo, nosso ídolo só teve uma chance – e quase marcou, o goleiro espalmou para escanteio. Na segunda etapa, bastou o Botafogo-DF melhorar um pouquinho para o Túlio desencantar: depois de uma jogada pela lateral, ele recebeu na entrada da pequena área, deu um drible seco no zagueiro adversário e mandou uma bomba: um golaço, que compensou o jogo horroroso. Dessa vez, o Túlio jogou os 90 minutos, mas não teve outras chances claras de gol. No final, Botafogo-DF 1 x 0 Cruzeiro-DF, muitos gritos da torcida para o ídolo e a certeza que o Túlio ainda é matador – o sorriso do meu filho valeu o ingresso… ah, e quando o nosso zagueiro Luan deu uma pixotada dentro da área e quase entregou a vitória, a torcida não o perdoou e gritou: Emerson! Emerson! Emerson!”

Acréscimo: Obrigado ao Andr3, que mandou link para vídeo com o golaço do Túlio:

 http://www.youtube.com/watch?v=3VJCWQPFiFg

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O tempo que não existe e o tempo que resta

22 20UTC 08pmThu, 20 Aug 2009 23:03:00 +0000ç2009, 2008 · 4 Comentários

“Eu preciso de três, quatro semanas. Fazer uma intertemporada para poder conhecer o grupo. Somente com este tempo poderia trabalhar formações na equipe. Teremos uma semana complicada com muitos jogos importantes”

Lamento, Estevam. Você não terá essas três ou quatro semanas – no máximo, dez dias em setembro, quando haverá uma pausa no Brasileirão. Faça logo as mudanças necessárias -  e comece pela zaga. Afaste alguns jogadores do elenco: para não causar tumulto, pode ser de forma discreta, basta não relacioná-los para as partidas (assim, eles realmente não correm risco de entrar). Repasse à diretoria ao menos dois nomes de sua confiança – e exija a contratação imediata para tapar a peneira que se tornou a defesa alvinegra. Cobre maior eficiência do departamento médico. É o que deve ser feito nos próximos dias, não nas próximas semanas. O tempo para remontar o time é curto – e já está se esgotando.

naohatempo

 

E, para piorar, começou a dar tudo certo para nossos adversários diretos na luta pela sobrevivência: o Coritiba do senhor Beira-do-Caos ganhou no último minuto com um pênalti inventado pelo Péricles Bassols; o Náutico de Geninho ganhou com gol contra do Goiás, que ainda teve duas bolas na trave; e  o Cruzeiro ganhou do decadente flamengo em pleno Maracanã.

É grave a situação, meus amigos. E cabe ao Estevam tentar revertê-la o mais rápido possível.

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Fé cega, faca amolada: o twitter do Estevam

22 20UTC 08amThu, 20 Aug 2009 11:23:47 +0000ç2009, 2008 · 6 Comentários

Trechos de comentários do técnico do Botafogo, Estevam Soares, em seu twitter na manhã dessa quinta-feira:

“As modificações precisam ser feitas”

Então faça, Estevam. Mas faça sem medo, com urgência.

Mas a torcida não pode deixar de incentivar e acreditar!”

Primeiro faça seu trabalho, Estevam. Depois, se preocupe com a  torcida.

Não deixem de acreditar no trabalho que estou fazendo, e no potencial do Botafogo”

No seu trabalho, Estevam, a gente vai tentar acreditar. Mas, desculpa, não teremos tempo para ter fé cega - por enquanto o que você conseguiu foi um pontinho em dois jogos. Estamos precisando de faca amolada no peito dos jogadores.

Já o potencial desse Botafogo… me permita não comentar. Não enxergo nenhum potencial em Emerson, Juninho, Reinaldo, Michael…

*****************

Antes do jogo, eis o comentário do Estevam no twitter:

“Vejo o brilho nos olhos dos jogadores, a vontade é só de acertar!”

Aí você pegou pesado, Estevam. Impossível enxergar brilho nos olhos de um bando de zumbis. E a gente viu a vontade de acertar do Juninho, do Emerson, do Victor Simões…

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As Crônicas do Pereirão: A auto-exoneração

22 20UTC 08amThu, 20 Aug 2009 11:01:02 +0000ç2009, 2008 · 2 Comentários

Demissão em caráter irrevogável

C. Pereira

Depois do vexame da noite de ontem, quando ( ressuscitando mais um cadáver) conseguimos perder para um modestíssimo time do interior de São Paulo, comunico aos que lêem esta gloriosa página que resolvi,desta vez em caráter irrevogável, exonerar-me do futebol.

Afinal foram mais de 60 anos de futebol dedicados ao querido Botafogo de Futebol e Regatas e as decepções ultimamente me desencantam cada vez mais. Pensei: se em 60 anos não vi totalmente o futebol é porque nunca tive olhos para vê-lo. Sim, já vi o futebol, mas do que vi, já vivi, sofri, quase morri o futebol. Valeu muito a pena e o prazer, mas não vejo sentido perder as noites das quartas-feiras, os sábados e domingos, com ansiedade, aumento da pressão arterial e falta de coragem para enfrentar as últimas derrotas que o time vem sofrendo.

Perder para Atlético Paranaense e Santo André, dentro de casa, e os tirando da zona de rebaixamento é dose pra leão… Mas isso além de tudo, é simplesmente humilhante! Eu que já abdicara do sacrifício de ir aos estádios, enfrentando o tráfego, a violência e outros males afins, para assistir do alto da arquibancada ao espetáculo tão visto e revisto, e que já renunciara, também, a acompanhá-lo pela televisão (essa quase obrigação nos últimos tempos só me trazia dissabor, raiva e tristeza), agora me demito por inteiro e em caráter definitivo.

Já vi o futebol. Hoje prefiro e só me cabe rever as fitas da lembrança, onde se gravam os melhores lances do meu aturado exercício de espectador. Não me cansei do futebol, mas no momento dele me retiro, para preservar meu patrimônio de memórias, sem desgaste da ansiedade que sei vai continuar ao saber dos resultados do meu clube de coração. Mas permaneço, na minha idade quase provecta, a esperar milagres (que já testemunhei) que de vinte em vinte anos soem acontecer. Quem sabe, em 2015, terei vida e alegria para comemorar o título de campeão brasileiro pela segunda vez?

O futebol já me viu. O futebol jogou-me como quis. O que colhi no campo dá perfeitamente para eu viver mais 10 ou 15 anos. No meu elenco de craques há vívidas memórias de Nilton Santos, Garrincha, Didi, Zagalo e tantos outros que honraram a famosa e bela camisa alvinegra com a estrela solitária no peito esquerdo.

Meu destino era amar o futebol. Amei-o. Como se ama a primeira namorada, a mulher mais encantadora, a paisagem mais bonita, a música mais melodiosa, a poesia mais bem construída. E o fiz com todas as forças que, agora têm menos vigor, estão mais combalidas. Resta-me, neste momento, um sentimento que não sei se é de decepção, de tristeza, de raiva ou de dor.

 Talvez seja um misto de tudo isso, acrescentado de uma enorme dose de vergonha. É isso – estou morrendo de vergonha…

E tem mais uma coisa que me irrita profundamente nesta manhã de quinta-feira de inverno. Além das chacotas dos amigos e colegas do cooper diário, ainda tenho que amargar a incrível ironia – o nosso ex, Sr. Ney Franco (demitido como incapaz) fez o seu novo time, o Coritiba, ganhar duas vezes seguidas, uma das quais contra o líder do campeonato.

Pra mim, por este ano, chega. A taça transbordou. Tchau, Botafogo. Deus queira que não venhas a disputar uma espécie de torneio Rio-Recife, no próximo ano, com fluminense, sport e náutico – na série B, evidentemente!

 

C.Pereira, autor do ato extremo descrito acima, é botafoguense, jornalista e não tem culpa se o seu time começou o ano com Maicosuel e vai terminar com Fahel e Emerson… 

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Botafogo 1 x 2 Santo André: Entrega em domicílio

22 19UTC 08pmWed, 19 Aug 2009 22:29:51 +0000ç2009, 2008 · 7 Comentários

Acho que já mencionei neste blog a tese de um ex-colega de repartição.

-  Jogador ruim não pode ficar no clube para compor elenco. Porque, depois de mostrar seguidas vezes que é perna-de-pau, ele começa a se esconder. Vai ganhando confiança, se afirmando como opção, conquistando seu espaço, a torcida vai deixando de pegar no pé dele… e aí, quando menos se espera, ele entra como titular e faz uma lambança que nos faz lembrar porque a gente não queria ele em nosso clube.

A máxima de meu amigo se aplica ao caso do Emerson – e, em menor escala, ao Juninho.

Zagueiros de um clube como Botafogo de Futebol e Regatas jamais poderiam cometer as falhas que eles cometeram na noite dessa quarta-feira no Engenhão. Mas só cometeram porque estavam em campo – e só estavam em campo porque alguém os escalou. E alguém os contratou.

Sobre o jogo, não vou repisar o óbvio: que Victor Simões é um péssimo finalizador por ter um chute indecentemente fraco e previsível, que o sistema defensivo do Botafogo é uma peneira, que as contratações mais badaladas do ano – Reinaldo, Michael – deram chabu.

Que o Botafogo no Engenhão é incompetente, ineficiente e irritante.

Nem vou dizer também o que só os turvados pelo ódio não conseguem enxergar: Lúcio Flávio faz falta, sim, especialmente nas partidas que têm obrigação de ser comandadas pelo Botafogo, pois ele ainda é o mais eficiente na hora de criar jogadas – por isso, fez muita falta nesse vexame no Engenhão (mais um!).

 Só vou ressaltar que o maior desafio do Estevam é ter a coragem necessária para fazer as mudanças – urgentes. E elas começam pela defesa: afastar o Emerson, xodó do Ney Franco, barrar temporariamente o Juninho, xodó da diretoria, e dar um esporro daqueles bem dados no Eduardo.

Está na hora de trabalhar, Estevam. Mãos à obra. Mostre pulso e tome decisões drásticas.

Bem-vindo ao Botafogo 2009 – esse era o cartão de visitas que os jogadores desse grupo queriam te entregar. Porque eles são de uma regularidade impressionante: sempre entregam. E dentro de casa.

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A cara de Estevam

22 17UTC 08pmMon, 17 Aug 2009 22:27:39 +0000ç2009, 2008 · 7 Comentários

“Vou deixar o Botafogo com a minha cara”

A frase está no twitter do Estevam Soares, uma forma interessante de ter contato com o pensamento e o dia-a-dia do treinador alvinegro. Obviamente, ele não deve revelar segredos nem broncas em seu site, mas não deixa de ser curioso poder acompanhar o lado motivacional do técnico a partir da nova ferramenta (http://twitter.com/estevamsoares).

É bom mesmo que o Estevam consiga logo dar a sua cara ao Botafogo. A situação na tabela, após duas derrotas (valeu, Ney Franco…) e um empate, voltou a ser bem desconfortável – pior: times que pareciam condenados no meio do primeiro turno, tipo o Coritiba e Atlético-PR, estão ressuscitando – e certamente vão contar com o barulho de suas torcidas para tentar escapar da degola. Ninguém garante que Náutico e Sport também não consigam engatar uma série de bons resultados no segundo turno. E são quatro vagas para a Série B…

O fato, meus caros, é que esse jogo contra o Santo André é pra lá de importante. Não só por valer seis pontos, mas por servir para o Botafogo começar a fazer o que interessa: aumentar o aproveitamento dentro de casa, que foi ridículo no primeiro turno.

 De preferência, com autoridade, já mostrando um esboço do que será o espírito do time até dezembro. Qualquer tropeço, agora, será uma cachoeira de água fria – na nova comissão técnica e, claro, na torcida.

Abre o olho e prepara a garganta, Estevam!

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Botafogo-DF 4 x 2 Brazsat: Uma tarde maravilhosa

22 16UTC 08pmSun, 16 Aug 2009 18:58:09 +0000ç2009, 2008 · 18 Comentários

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Até os 30 minutos do primeiro tempo, Túlio Maravilha só tinha dado um chute no gramado do Mané Garrincha.

Foi para devolver a bola ao juiz.

O adversário com nome de satélite ganhava por 1 x 0 e o Botafogo-DF penava, sem criatividade no meio-de-campo nem talento para criar jogadas perigosas. Túlio permanecia completamente isolado.

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A bola simplesmente não chegava aos pés da atração maior da partida - e isso não é força de expressão. Ele bem que se deslocava, mas não recebia por absoluta inoperância de seus colegas.

Mas eis que, pouco depois dos 30 minutos, o camisa 900 do Botafogo-DF fez a sua primeira maravilha: a zaga do adversário vacilou após cruzamento, Túlio matou no peito e fuzilou. Um golaço. Empate e parte da promessa cumprida (pra quem não sabe, ao ser apresentado ele prometeu dois gols por partida disputada na segundona candanga).

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Os três mil botafoguenses que foram ao Mané Garrincha pareciam não acreditar: uma chance, um gol. Aproveitamento cem por cento.

Mas Túlio teria muito mais a oferecer a quem foi ao estádio com nome de ídolo. Foi dele o início da belíssima jogada do gol da virada, marcada pelo camisa 10, Fábio Lima – com um toque seco e rápido, Túlio tirou dois marcadores e colocou seu colega na cara do gol. Botafogo-DF 2 x 1, fim do primeiro tempo.

Intervalo – e dezenas de torcedores correndo para o local de saída dos jogadores, para saudar o eterno craque alvinegro.

A partida começou às 15h30, sob fortíssimo calor e umidade abaixo de 30 por cento. Muita gente chegou no intervalo, e se perguntava se era verdade que o Túlio já tinha feito um golaço.

Mas ele foi generoso e resolveu premiar os que chegaram atrasados.

Começa o segundo tempo e o Botafogo-DF acerta o ritmo de jogo. Passa a comandar a partida: após uma grande jogada do lateral Amaral pela direita, ele cruza e quem está dentro da área para dominar com calma, deslocar seu adversário com um drible seco (me pareceu que o toque foi de calcanhar, tenho que ver o replay) e estufar as redes?

Túlio.

Duas chances de gol, dois gols. Aproveitamento cem por cento. Promessa integralmente cumprida.

Ele ainda permaneceu em campo por mais 15 minutos – engatou tabelas, deu piques, tentou dribles. Mas já tinha brilhado o suficiente para alucinar os que pagaram R$ 3 (arquiba) e R$ 5 (cadeira) para vê-lo jogar em Brasília.

O técnico o substituiu – e ele saiu sob os gritos de “Túlio, Túlio, Túlio!”, direto para o aeroporto: iria pegar o voo das 18h para Goiânia, contou o jornal do  dia seguinte.

Muita gente também foi embora: já tinha visto o suficiente.

Já tinha visto que os Reis jamais perdem a majestade. Ainda mais diante de seus súditos.

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Ah, o jogo terminou 4 x 2: Léo Guerreiro, centroavante corpulento e trombador, fez igualmente um golaço, no finalzinho.

O Botafogo-DF teve uma estreia convincente, ainda mais porque o Brazsat, clube-empresa, é um dos mais fortes candidatos à ascensão. E o time não é ruim, não: tem um zagueiro (Luan) alto e bom na antecipação; um camisa 10 (Fábio Lima) ágil e esperto – ambos não fariam feio no banco de reservas em General Severiano.

A torcida, feliz da vida, quase toda uniformizada e de diferentes gerações, cantou o Ninguém Cala e o Hino. Também mandou uma mensagem (“ei, urubu, vai tomar…”) ao saber pelo rádio que o roubo-negro caíra de quatro para o Grêmio de Autuori, Túlio Lustosa e Joílson.

No final, todos deixaram o estádio com um sorriso no rosto e tentando eleger qual dos dois gols tinha sido o mais bonito. Muitos já faziam planos de se encontrar na próxima rodada da segundona candanga – outros preenchiam o cupom de promoção que sorteará um alvinegro candango para assistir Botafogo x Grêmio no Engenhão.  Para isso, é necessário criar uma frase com até dez palavras, entre elas três essenciais: Túlio, Maravilha e Botafogo.

A minha frase não se encaixa no regulamento, mas não importa – o que vale é o agradecimento:

Obrigado, Túlio, por mais uma tarde maravilhosa de domingo.

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Foto acima: Cadu Gomes/CB Press

Outras Fotos: FogoEterno Press

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