
Estevam fez tudo direitinho no inicio da partida.
Escalou três atacantes, colocou Michael no meio e armou um 5-4-1 ofensivo e eficiente.
O Botafogo, depois de dois ou três minutos de vacilo, acelerou conforme o seu treinador tinha traçado e treinado.
Deu certo: o time mostrou volume de jogo, alugou o meio de campo e pressionou o adversário. Enfim, mostrou quem era o dono da casa. Reinaldo, mais eficiente que Victor Simões e André Lima juntos, faz um gol sofrido, mas merecido.
Botafogo 1 x 0… e aí o Wellington resolveu brincar de Emerson. Ao tentar um chutão, erra feio e, com a pixotada, deixa a bola para o adversário dentro da área. Privação temporária de sentidos.
Uma lambança inacreditável que, vale ressaltar, deve ser compartilhada também com Castillo (a bola passou por baixo dele, na pequena área) e com a furada grotesca do Alessandro depois que o Jonas furou duas vezes – provavelmente, o gol mais ridículo do ano. E, assim, nasce o empate do Grêmio.
Botafogo tem um branco e perde o equilíbrio – Michael, que estava muito bem, some da partida e os espaços nas costas de Tiaguinho se mostram ainda mais perigosos.
Vem o segundo tempo e Reinaldo dá um lançamento preciso para o Victor Simões, até então presença nula que, enfim, conclui de forma certeira e faz Botafogo 2 x 1.
Aí o senhor Rodrigo Cintra, e seu auxiliar que não vou perder tempo procurando o nome, resolvem interferir no resultado. Num cruzamento de uma bola que saiu por pelo menos meio metro, eles ignoram a irregularidade e deixam o lance seguir – Jonas acerta um chute dificílimo e o Grêmio consegue novamente o empate.
Não tem santo que consiga controlar os nervos – e o Botafogo é mais uma vez prejudicado no lance do desempate gremista: a falta que deu origem ao gol de Souza foi cometida inicialmente pelo jogador adversário. Para culminar, Castillo faz golpe de vista, sofre também uma privação temporária de sentidos e deixa a bola entrar, numa falha terrível, indesculpável. Grêmio 3 x 2.
Parêntese: para não atrapalhar a análise da partida, não vou comentar o lance de privação de sentidos do senhor Rodrigo Cintra, ao deixar de marcar um pênalti claríssimo quando o zagueiro gremista meteu a mão na bola e o juiz resolveu interpretar como bola na mão- ainda mais porque o autor da infração levanta o braço para interceptar o cruzamento do Thiaguinho. Acho que, no top 5 de erros contra o Botafogo, esse merece um lugar no pódio.
Aí, meus caros, as entradas de Renato, Jônatas e Ricardinho melhoraram um pouco – especialmente por conta dos dois últimos. Estevam disse que tirou o Reinaldo porque ele estava cansado – mas o autor do primeiro gol, com a língua de fora, se mostrava bem mais útil e perigoso do que Victor Simões e André Lima juntos.
Para que o destino não fosse tão cruel com um resultado totalmente enganoso, Leandro Guerreiro foi premiado com um gol de sorte – a bola desviou no camisa 5 do Grêmio, enganou o bom goleiro Victor e caiu nas redes. E dava até para virar a partida se o Ricardinho não tivesse perdido um gol cara a cara com o Victor. Esse, sim, teria sido o resultado mais justo – a vitória por 4 x 3, mesmo com as falhas individuais e com as falhas mal-intencionadas do árbitro.
No mais, parabéns ao presidente Maurício Assumpção pela atitude de demonstrar publicamente sua indignação. Demorou para reagir, hein, presidente! Mas não coloque a culpa pela contratação de Léo Silva, Fahel e Ney Franco na conta do Rodrigo Cintra…
Atuações:
Castillo – Tinha tudo para ser um bom goleiro: personalidade, experiência, garra, catimba. Só que não tem altura e não consegue compensar com atuações extraordinárias. As falhas no primeiro e no terceiro gol são lastimáveis. Nota 3
Alessandro – Raça e nada mais. Nota 4
Wellington – Uma noite de Emerson. Nota um
Juninho – Nada demais. E os gols? Nota 3
Tiaguinho – Erra passes de meio metro, e ainda deixou Perea se criar nas suas costas. Não dá pra jogar ao mesmo tempo que Alessandro: dois jogadores limitados intelectualmente no mesmo sistema defensivo é demais. Nota 4,5
Leandro – Mereceu o gol pela luta, mas também não fez a diferença. Nota 5,5
Michael – Achou seu lugar no meio, e tem se mostrado bem enturmado com LF e Reinaldo. Falta manter a regularidade. Nota6
Lúcio Flávio – Conduziu o time nos melhores momentos do Botafogo e demonstrou empenho. Nota 7
Reinaldo – Ao menos nesse domingo, compensou a falta de preparo com jogadas perigosas, lúcidas e um gol. Nota 7
André Lima – Tem que jogar menos pra galera e mais para o time. Nota 5
Victor Simões – Fez um gol que, se perdesse, merecia ter o contrato rescindido ainda no vestiário. Incrível a dificuldade de completar uma jogada e de dominar a bola. Nota 4
Jônatas – O melhorzinho dos três que entraram na segunda etapa. Mas está com uma barriga… Nota 5
Ricardinho – Perdeu um gol feito nos acréscimos. Será mais um homem quase-gol? De toda forma, parece arisco e ligado na partida. Nota 4
Renato – Nada, claro. Nota2
Estevam – Armou bem o time e deve manter essa escalação ofensiva, mesmo jogando fora, contra times que também estão desesperados. Nada de voltar com Fahel, L éo Silva, etc. É melhor conquistar uma vitória do que dois empates. Nota 6
SporTV- Comentarista Felipe Awi ficou em cima do muro pra dizer que o lance do pênalti era questão de interpretação: até o locutor cravou a irregularidade. Foi preciso que o RMP (logo quem!) e o Telmo Zanini, após a partida, falassem que tinha sido penalidade clara e que o Botafogo tinha sido, sim, muito prejudicado pela arbitragem para o Awi admitir que podia ter sido pênalti. Que dificuldade e má-vontade de enxergar o que todo mundo viu…











