
Alvíssaras!
Depois da mediocridade generalizada da final da Taça Rio, o Botafogo de Futebol e Regatas entrou em campo no primeiro jogo da decisão do campeonato carioca.
E isso fez toda a diferença.
Sim, a sorte novamente esteve a favor dos urubus, que conseguiram empatar no final da partida graças ao desvio preciso de nosso zagueiro-artilheiro.
Mas, sério, vocês já viram o Botafogo ganhar e/ou empatar uma partida graças a um lance de sorte? Vão tentando lembrar aí que vou lançar um desafio sobre esse aspecto no meio da semana.
Por enquanto, quero – pela ordem – parabenizar e criticar o Ney Franco. Porque ele fez uma substituição ousada ao ressuscitar o Eduardo – o jovem baiano voltou ao noticiário que nem aqueles personagens de série tipo 24 Horas, que são dados como mortos nos primeiros capítulos e retornam inesperadamente para o desfecho da temporada.
Foi uma opção arriscadíssima – ainda mais levando em conta o papelão que o Eduardo fez ano passado, também contra o flamengo, também em jogo decisivo.
Mas a entrada do Eduardo foi fundamental para que o Botafogo recuperasse o que entregou de bandeja na primeira partida: a posse de bola. Mesmo exagerando nas firulas (nenhuma novidade), ele conseguiu ajudar na articulação entre defesa e ataque, retirando dos ombros do Maicosuel a tarefa de organizar solitariamente as jogadas ofensivas.
A entrada do Eduardo, a melhora do Reinaldo e Léo Silva, a regularidade do Guerreiro (outra partida irrepreensível) e do Juninho, a boa partida do Emerson (dessa vez ele não pode ser culpado pelo gol contra, essa de hoje foi pura infelicidade) e, mais uma vez, um inspiradíssimo Maicosuel fizeram toda a diferença.
Com exceção dos minutos entre o lance discutível do pênalti do Alessandro (tem rubro-negro que acha que não foi, eu acho que foi) e a defesa decisiva do Renan no chute do léo moura quando os urubus poderiam ter feito vantagem de 2 x 0 ainda no primeiro tempo, o Botafogo fez o que nós esperávamos que fizesse: comandar as ações da partida.
Grande Botafogo.
E o alvinegro só não manteve a vantagem até o final por conta da dupla contusão do Maicosuel e do Reinaldo (no mesmo lance!), e a aposta equivocada do Ney no Renato.
Ora, se na entrevista coletiva ele mesmo falou que o Renato ainda se ressente de falta de ritmo de jogo, como é que põe o cara em campo? Se o Renato tivesse feito um terço do que o Ney planejou para ele, tínhamos ganho a partida. Pois ele não conseguiu armar, puxar contra-ataques nem dar o primeiro combate. Pelo contrário, se arrastou em campo – e, assim, o Botafogo jogou com dez homens durante quase todo o segundo tempo.
E jogou com raça, seriedade, dedicação total. Sangue nos olhos.
Não vou comentar agora o ridículo lance do juanzito em cima de Michael Swell – esse assunto merece post à parte.
Vamos às notas individuais.
Mas já deixo registrado que o ânimo está maior ao final da partida do que no início dela.
Renan – Uma ótima intervenção que impediu o gol de Léo Moura ainda no primeiro tempo, algumas saídas apavorantes no segundo tempo. Nota 5
Alessandro – Melhor do que o habitual, inclusive com duas enfiadas de bola para os atacantes alvinegros. Dessa vez, ganhou mais do que perdeu com o Juan, com exceção do… lance do pênalti no qual foi, no mínimo, imprudente. Nota 5
Juninho – Um belo gol e uma sólida atuação. Nota 7
Emerson – Estava em sua melhor jornada na Taça Rio, com ótimas antecipações… até o lance do segundo gol. Precisa pegar um pouco da água benta de São Carlito Rocha lá em General Severiano. Nota 5,5
Eduardo – Uma boa surpresa, principalmente no primeiro tempo. Nota 6 Como o juiz avisou que iria expulsá-lo, foi substituído por Gabriel, que deu azar no lance do segundo gol rubro-negro. Nota 5
Léo Silva – Para o que pode fazer, teve uma atuação consistente e surpreendente. Sofreu um pênalti cometido pelo Ibson, ignorado pelo juiz e pela televisão. Nota 6,5
Fahel – Um degrau abaixo de seu companheiro. Nota 5
Leandro Guerreiro – O grande nome da Taça Rio. Anulou Zé Roberto na primeira etapa e ainda demonstrou visão de jogo para armar contra-ataques. Nota 8,5
Maicosuel – Mais uma vez, o nome do jogo. Impressiona pelo fato de não sentir a pressão e, em jogos decisivos, partir pra cima de seus adversários. Ele é o cara. Temos que segurá-lo para o resto da temporada. Nota 8 Contundiu-se e foi substituído por Renato, que errou tudo o que tentou. E olha que ele tentou pouco. Nota ZERO
Reinaldo – Se redimiu da ridícula atuação da Taça Rio com um gol em cabeceio preciso, mais participação efetiva inclusive na marcação. Nota 7,5 Sentiu e deu lugar a Jean Carioca, que teve ao menos uma chance de liquidar a partida, mas faltou competência. Nota 4
Victor Simões – Muita vontade, mas ainda está muito discreto. Falta poder de definição, ainda mais quando as chances aparecem – e elas têm aparecido. Espero que tenha guardado para a última partida. Nota 5
Ney Franco – Dessa vez cumpriu o que prometeu e mandou a campo um time diferente da partida anterior. Ousou ao escalar o Eduardo e acertou o posicionamento do time. Errou feio na escolha de Renato – tanto para o banco quanto para o jogo: esse cara não tem a menor condição de disputar uma partida, ainda mais em uma decisão. Nota 6
Transmissão da Rede Globo – Foi tão absurda, parcial e ofensiva à torcida alvinegra que merecerá um post em separado. Falarei, particularmente, da edição de imagens e dos “comentaristas”, especialmente de arbitragem. Já antecipo, porém, a avaliação: NOTA ZERO
foto: portal Terra