Condoído com o drama dos catarinenses, o Botafogo fez sua parte e, com um péssimo segundo tempo, garantiu 45 minutos de alegria ao torcedor do figueirense.
É ou não é um time solidário?
Fazer sua própria torcida se irritar pela enésima vez é um mal menor diante da sofreguidão na hora de ajudar os outros – e o figueirense não pode reclamar: depois de Ana Paula Oliveira e Júlio César na Copa do Brasil em 2007, foi a vez de Triguinho, André Luis, Alessandro, Emerson e Leandro Guerreiro darem a sua contribuição aos irmãos alvinegros do Sul.
No primeiro tempo, deu até a impressão que o Botafogo ignoraria a vocação para Madre Teresa de Calcutá e dominou amplamente o jogo. Renan não foi acionado nenhuma vez, e a partida limitou-se a um ataque-contra-defesa. Jorge Henrique se movimentou com desenvoltura, comandando as jogadas ofensivas. Deixou Zárate na cara do gol e o argentino perdeu clara oportunidade de abrir o placar. Aliás, se, contra o Atlético-PR, nosso rotundo centroavante se destacou, dessa vez ele não esteve na chamada jornada gloriosa, muito pelo contrário: foi do razoável, no papel de pivô, ao lamentável – na segunda etapa.
Mas por que o Botafogo não matou o jogo no primeiro tempo? Porque o Lucas Silva simplesmente não entrou em campo, limitando-se a toques laterais, e Lúcio Flávio, bem, foi o de sempre, alternando alguns lampejos com vários sumiços. Apesar do bom desempenho dos volantes, especialmente Diguinho, o time pecou novamente pela falta de objetividade na hora de definir.
Na segunda etapa, assim como já ocorrera contra o Atlético-PR, o Botafogo sentiu (com trocadilhos) o dedo do técnico e o time desandou de vez. Bastou o Figueirense ter postura mais agressiva e partir para cima que nossos alvinegros sentiram o golpe, deixando avenidas abertas – especialmente pelas laterais, quando Alessandro e Triguinho foram facilmente envolvidos pelos atacantes figueirenses. Dois gols em menos de 15 minutos.
Com o ato de caridade já assegurado, o Ney Franco resolveu simular produtividade. Substituiu Triguinho por Alexandro – que, no penúltimo jogo da temporada, ganhou sua primeira chance e, cinco minutos depois, marcou um gol após boa jogada de LF e Zárate. Uma chance, um chute, um gol. Por que não teve mais oportunidades do que o Fábio ao longo do ano? Mi$tério$ alvinegro$.
O golzinho não melhorou em nada o time – e de quem se esperava alguma coisa, como o Lucas Silva, foi de onde não veio nada.
Resultado: mais um vacilo, mais um gol. E a solidariedade garantida. Parabéns, Ney Franco e a todo o elenco, pelo gesto de compaixão. Que ele se estenda, na última rodada, aos palmeirenses e ao menos o Botafogo ajude o framengo a ficar de fora da Libertadores.
Assim eles se despediram do Engenhão em 2008:
Renan – Sem trabalho no primeiro tempo, sem chances nos três gols. Nota 5
Alessandro - Razoável no começo da partida, foi desaparecendo até os erros graves de marcação na segunda etapa. Nota 3
Emerson - Não pode ser titular do Botafogo, como demonstrou nos dois primeiros gols figueirenses. Nota 3 Foi substituído por Luciano Almeida, que não teve tempo para fazer nada. Sem nota
André Luis – Discreto até demais, falhando na cobertura e sem a vibração que o acompanha. Nota 3
Triguinho – Passes errados, cruzamentos ridículos, faltas lamentáveis. Só falta um jogo! Nota 1 Foi substituído por Alexandro que, em menos de 10 minutos, fez um gol de puro oportunismo e mostrou que não poderia ter sido condenado ao papel de reserva do Fábio. Nota 6
Leandro Guerreiro – Razoável no início, falhas no segundo tempo. Nota 4
Diguinho - Visível empenho no início da partida, visível desinteresse no segundo tempo. Nota 4
Lucas Silva – A grande decepção do jogo. Se a partida era para observá-lo, a impressão foi a pior possível. Se escondeu da responsabilidade e mostrou pouco futebol. Nota 3
Lúcio Flávio – Bem no primeiro tempo, mal na segunda etapa: o vaga-lume de sempre. Nota 4
Jorge Henrique – O melhor do time, por conta do primeiro tempo. Apesar da crônica dificuldade para finalizar (teve uma chance clara), fez bem o papel de garçom e serviu seus companheiros com eficiência. Desapareceu no final. Nota 6
Zárate - Um bom começo, mas, se é centroavante definidor, não pode perder as duas chances que desperdiçou no primeiro tempo. Não falta garra, mas a pouca mobilidade o atrapalha em momentos importantes da partida. Nota 5
Ney Franco – O que dizer de um treinador que, dentro de casa, toma um nó tático do Pintado no intervalo, como já ocorrera com o Geninho na partida anterior? O Botafogo tem jogado pior na segunda etapa do que no início – de quem é a culpa? Nota 3
Alex e Asprilla – Graças a Deus, ostentam uma camisa alvinegra que não é vendida em General Severiano. Nota 1,333… para cada um deles.
E, por fim, respondam minha curiosidade: quanto vocês pagarão pela vestimenta utilizada por esse grupo, no leilão anunciado para ajudar as vítimas das enchentes em SC? Não se preocupem, as camisas, com duas ou três exceções, não terão uma gota de suor – estarão intactas, prontas para usar…






