Fogo Eterno

São Paulo 2 x 1 Botafogo: A bola pune, JH

22 20UTC 07pmSun, 20 Jul 2008 21:43:07 +0000ç2008, 2008 · 1 Comentário

                         

Ao comentar a desclassificação vexatória do flamengo na Libertadores, o técnico são-paulino Muricy Ramalho cunhou uma das frases do ano:

A bola pune.

Lamentável que a frase possa ser aplicado nesse domingo ao Botafogo. Pois o time fez a sua melhor exibição fora de casa e acabou punido com uma derrota tão injusta que, como observou o Pereirão, o Botafogo foi motivo de comentário elogioso inclusive do Rogério Ceni.

A rigor, o Botafogo jogou mal apenas nos primeiros 10 minutos, quando tomou um sufoco incrível, com direito a bola na trave e outra salva em cima da linha pelo Triguinho. Só Diguinho jogava naquele momento.

Depois equilibrou a partida e dominou amplamente a partida, com tabelas envolventes entre Jorge Henrique e Wellington Paulista e a zaga demonstrando segurança, além de eficiência nas laterais com Triguinho e Thiaguinho. Mas, na única desatenção, uma bola rápida enfiada com inteligência por Jorge Wagner deixou o Cazumba de cara para Castillo, que não teve alternativa a não ser cometer o pênalti. São Paulo 1 x 0.

O Botafogo não se abateu: continuou jogando bem até o fim do primeiro tempo tempo, demonstrando equilíbrio e aplicação. Até Lúcio Flávio estava mais ligado no jogo – enfiou uma bola precisa para Thiaguinho, que perdeu a chance ao chutar mal.

No intervalo, Ney Franco cometeu sua única falha: não colocou Carlos Alberto de imediato na partida. Esperou 10 minutos e, nesse ínterim, o time não rendeu muito, a não ser logo no início, quando LFlávio quase faz um belo gol, salvo em cima da linha pelo ótimo zagueiro Alex Silva (aliás, já pensou se ele compusesse a zaga alvinegra com o André Luiz, que diferença seria, hein?).

Quando Carlos Alberto entrou no lugar de Túlio, o time melhorou ainda mais e, em menos de dez minutos, C.A criou três jogadas perigosas, demonstrando que ele, em forma, tem que ser titular. E dá-lhe oportunidades perdidas para o visitante, duas delas por Jorge Henrique, uma por Thiaguinho. 

Sem opções, o São Paulo tentava apenas se defender. Sem criatividade, apelava para os chutões, como fez o zagueiro A.Silva aos 30 minutos, demonstrando a dificuldade de sair jogando por conta da marcação alvinegra.

Aí Carlos Alberto, num lance individual, disparou um chute que desviou na zaga e o Botafogo conseguiu o empate. Mas na sequencia, Jorge Henrique perdeu outro gol feito que teria sacramentado a virada.

E a bola, caprichosa, resolveu seguir o ditado de Muricy e puniu o melhor em campo.

Na única (não é força de expressão, foi a única mesmo) jogada de linha de fundo do São Paulo, Renato Silva perdeu a dividida para Aloísio, que tocou para trás, Jorge Wagner cruzou na cabeça de Dagoberto. Gol dos donos da casa no finzinho da partida.

Injusto? Claro! Mas as vitórias se definem quando as chances aparecem e são convertidas. Foi assim que o São Paulo foi campeão ano passado – joga feio, truncado, mas ganha. E é isso que importa.

Do lado botafoguense, ficam duas certezas, que servem de alento, apesar da posição novamente perigosa  na tabela:

1. O time tem técnico que sabe enxergar o jogo e mudar quando necessário, inclusive na substituição dos medalhões. Até porque agora há peças de reposição disponíveis para troca.

2. Nas três últimas partidas, o time reverteu a tendência de perder fácil fora de casa e ganhar com dificuldade dentro de casa. Ganhou com facilidade no Engenhão e vendeu caro a derrota no Morumbi. Mas ainda é cedo para comemorar: as duas próximas partidas dirão muito sobre a tão comentada nova fase alvinegra. Duas vitórias, garantia de estabilidade. Dois resultados ruins e a crise está de volta a General Severiano.

Assim eles jogaram:

Castillo – Talvez pudesse ter se antecipado no lance do pênalti. No mais, uma saída em falso que já virou rotina e algumas boas reposições de bola. Nota 5

Thiaguinho – Mais uma boa partida. Consistente na defesa, arrojo no apoio. Se acertasse o pé… Nota 7

Renato Silva – Não era a noite dele. Esforçou-se ao máximo, mas expôs sua limitação em momentos cruciais. Nota 5

André Luiz – Uma das melhores partidas pelo Botafogo. Antecipação, dividida e, mais importante, sem apelar para a violência. Nota 7,5

Triguinho – No primeiro tempo, deixou o ataque são-paulino se criar nas suas cortas. Aos poucos, acertou o posicionamento e pôde atacar com mais vontade. Falta acertar mais cruzamentos. Nota 6,5

Túlio - Começou mal e foi se recuperando. Não comprometeu e saiu na hora certa. Nota 5 Foi substituído por Carlos Alberto que mudou a característica do ataque alvinegro em pouco tempo, criando chances reais e sendo premiado com um belo gol. Nota 8

Diguinho – Um monstro no desarme. Errou alguns passes, mas nada comprometedor. Nota 7,5

Lúcio Flávio – Bem melhor do que contra o Santos, com ótimas enfiadas de bola e visão de jogo. Mas pouca objetividade, o maior problema no primeiro tempo, além de um gol perdido que teria mudado a partida. Nota 6 Foi substituído por Gil, que destoou do time inteiro: sem ritmo de jogo, facilmente desarmado e periculosidade zero. Nota 3

Jorge Henrique -  A chave da análise da derrota passa pelos pés dele. Criou bastante, se movimentou, deu ótimos dribles, infernizou a zaga são-paulina, lembrou os bons tempos do ano passado. Mas é atacante e quem joga nessa posição não pode perder tantos gols como ele perde – hoje tinha que ter definido a partida. Nota 6

Wellington Paulista – Não criou chances reais de gol, mas ajudou na marcação e fez um bom primeiro tempo. Ah, se ao menos uma das bolas que sobraram para o JH tivesse caído nos pés dele… Nota 5

Zé Carlos - Não brilhou nem comprometeu. Nota 6 Foi substituído por Lucas Silva que, mesmo com pouquíssimo tempo, se mostrou mais útil do que Gil. Sem nota

Ney Franco – O time está bem mais arrumado, especialmente na defesa. Acertou nas substituições, apesar da demora para a entrada de Carlos Alberto. Se souber trabalhar o grupo para ter 15, 16 jogadores em condição de ser titular, poderá dar alegrias à torcida. Nota 7 

Categorias: Brasileirão 2008
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1 resposta Até agora ↓

  • C. pereira // 22 21UTC 07amMon, 21 Jul 2008 08:42:18 +0000ç2008, 2008 às 12:48 p07 | Responder

    Marcelo, foi, de longe, a melhor exibição do Botafogo na era pós-Cuca. Não merecia perder mas perdeu. Por que? Simplesmente porque não jogou com a camisa listrada, aquela tradicional, bela e insubstítuível!
    Quarta-feira, contra o Atlético, quando o time entrar em campo, saberei se vai ganhar…
    E, depois, não me venham dizer que sou (como todo bom botafoguense) dado a superstições.

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