Fogo Eterno

Entradas do Junho 2008

E se o Geninho fosse demitido…

22 30UTC 06pmMon, 30 Jun 2008 22:52:29 +0000ç2008, 2008 · 3 Comentários

                                          

Por que não o Parreira, hein?

Voltou para o Rio, vai passar um tempo vivendo de brisa na capital carioca.

Seria uma escolha polêmica, certamente. Mas Parreira tem o perfil do técnico que o Botafogo precisa nesse momento.

Em primeiro lugar, experiência para lidar com um time sob pressão. E outros atributos: garantia de preparação física adequada, aplicação tática, seriedade, disciplina. Rigor e conhecimento do ofício.

E sem a histeria e a antipatia de um treinador, tipo, Leão.

“Ah, ele é tricolor de coração…”

Não por isso. Túlio tem sangue alvinegro e o lado torcedor dele só o tem prejudicado nos momentos decisivos.

Além disso, todo mundo tem defeitos – e, tenham certeza, que esse é muito menor do que os do Geninho - que, na boa, nem parece gostar muito de futebol: parece aquele cunhado que dá um palpite sobre a partida quando passa em frente à tevê e depois some pra comprar cerveja. Ou para tirar um cochilo.

Acréscimo da madrugada: No Bem Amigos Tricolores, o Parreira falou que pretende ficar até o resto do ano sem trabalhar, no dolce far niente. Mas que depois aceitaria ser diretor técnico de um clube – e, claro, dará preferência a times cariocas. Desapaixonadamente falando (eu sei que é difícil, Rodrigo!), é um nome a ser ao menos considerado para comandar uma reestruturação total em 2009.

 

Categorias: fora de campo
Etiquetado: , , ,

O centroavante que nós precisamos

22 30UTC 06pmMon, 30 Jun 2008 16:51:09 +0000ç2008, 2008 · 1 Comentário

                                                  

 ”Os brasileiros foram tão melhores! Gostaria de um dia, jogar no mesmo time de Didi, o Botafogo. Garrincha também joga lá? Ótimo!”

Just Fontaine, artilheiro da Copa de 1958, no dia seguinte à vitória do Brasil em cima da Suécia.

Ou seja, há exatos 50 anos, no dia 30 de junho de 1958.  

Bem que Fontaine poderia entrar na máquina do tempo e reforçar o ataque alvinegro – ou, ao menos, dar umas dicas para Wellington Paulista e companhia (bastante) limitada…

 

Categorias: Histórias Gloriosas
Etiquetado: , , ,

fluminense 0 x 0 Botafogo: A hora do desencanto

22 29UTC 06pmSun, 29 Jun 2008 21:23:00 +0000ç2008, 2008 · 4 Comentários

                        

Quando o goleiro é o melhor em campo, e ele só fez duas intervenções em 90 minutos, é hora de acionar o alarme.

Mas de que adianta disparar o aviso de emergência? Quem irá nos socorrer? Olhem para o banco de reservas, o que vocês vêem ali? Nesse momento, como diriam os Titãs, só o acaso pode nos proteger.

A fase é de total desencanto: sem poder de reação, sem poder de decisão, sem raça, sem nada que desperte um mínimo de confiança no torcedor. Porque o único fato positivo do jogo desse domingo no Maracanã contra os RESERVAS do fluzinho foi não ter tomado gol. Mas isso se deveu quase que exclusivamente ao desinteresse do adversário na partida do que a méritos alvinegros. Tanto que, quando pressionaram um pouco (só um pouco) no primeiro tempo, eles criaram chances mais claras do que o bando botafoguense.

Sim, meus amigos: Ao contrário do bom primeiro tempo contra a Portuguesa (viram como é possível piorar?), dessa vez o Botafogo pediu para perder. Um bando desordenado, sem capacidade de criar nem de marcar. Se Geninhozinho pediu para o time chegar ao gol com as jogadas dos laterais, eles devem ter perdido essa parte da preleção. Pois Triguinho e Alessandro, que já não são tudo isso, hoje estavam abaixo da linha que separa os medianos dos medíocres.

E a “dupla de criação” formada por Lúcio Flávio e Carlos Alberto? Fizeram um autêntico rodízio: um sumiu no primeiro tempo, o outro nos 45 minutos finais. Assim, a gente não sentiu saudade dos dois ao mesmo tempo, o que demonstra a inteligência e eficiência dos dois “cérebros” do time.

E a “dupla ofensiva” formada por Wellington Paulista e Vanderlei? Além de lutarem com a bola e serem facilmente marcados,  poucas vezes tive o desprazer de ver dois jogadores atuando no mesmo setor de campo sem demonstrar NENHUMA sintonia. Pelo contrário: chegaram a trombar algumas vezes. Parece que nunca treinaram juntos.

A bem da verdade, entre os 20 minutos e 30 do segundo tempo, o time conseguiu criar algumas jogadas perigosas. Mas, depois com as entradas de Túlio Souza e Fábio, o que já estava péssimo conseguiu piorar.  Porque, além de tudo, com a saída de Alessandro, a ala direita virou uma avenida e o time desandou a disparar passes errados, muitos bisonhos, armando perigosíssimos contra-ataques para o tricolor. E o fluzinho só não ganhou a partida por uma questão de minutos.

Difícil é ter que concordar com o Renato Gaúcho quando ele afirmou após a partida: “Hoje o Botafogo ganhou um ponto”.

E antes que as cornetas mirem apenas uma pessoa, quero deixar bem claro o que penso.

Não, a culpa de mais uma péssima partida não é só do Geninho – que, ao menos, fez uma leitura lúcida no final e disse que “muitos jogadores estiveram muito abaixo das expectativas”, mas minimizou ao dizer que “Deu um apagão geral, hoje não foi um bom dia”. Não, Geninho, foi um PÉSSIMO dia. Mas que culpa ele tem se Carlos Alberto não acertou nada, se o Wellington consegue piorar a cada jogo e se o Túlio Souza se revelou um engodo, pois o que jogou até agora pelo Botafogo não é digno nem da série C? 

Por isso, a partir de agora, as minhas expectativas mudaram. Campeão, Libertadores? Não me façam rir porque será um sorriso amargo, ainda mais quando lembramos de nossa posição na tabela no ano passado.

Com esse time e esse técnico, cada ponto conquistado daqui pra frente será um milagre – ainda mais quando se enxerga os próximos confrontos previstos na tabela. E se o Botafogo se sustentar fora da zona de rebaixamento até agosto, ganha tempo para fazer uma total transfusão de sangue para o returno.

Só assim, escaparemos ao final do campeonato do destino traçado pela música dos Titãs citada no início desse comentário: Epitáfio.

Como eles jogaram?

Castillo – Duas ótimas intervenções no primeiro tempo, salvou o time da derrota. No segundo tempo, só assistiu a partida. Deveria ser o capitão do time. Nota 7

Alessandro – Já deve estar negociado com a Grécia, pois voltou a ser o lateral nulo no apoio e dessa vez sem vibração. Nota 4 Foi substituído por Túlio Souza que, em menos de 2 minutos, deu um passe bisonho e uma entrada violenta punida com cartão amarelo. Depois, mais uma série de passes errados. Não quero nem saber quanto o Botafogo gastou com o passe desse rapaz para não ficar com mais raiva: dinheiro jogado fora. Nota 1

Renato Silva - Seguro e ligado no jogo, fez boas antecipações. Deu uma vacilada no final, quando o time caiu bruscamente de rendimento. Nota 6

Ferrero – Um pouco lento, ao menos demonstrou raça nas divididas e não dá vexame quando tem a bola nos pés e tenta arriscar passes ofensivos. Remendou os buracos deixados pelo meio-de-campo. Foi injustamente expulso no finalzinho da partida, ao matar um lance que poderia ter resultado no gol tricolor. Nota 6,5

Triguinho - Burocrático, sem capacidade ofensiva, ainda perdeu um gol por distração. Quando quem estava jogando bem começa a comprometer é que a coisa está ficando preta. Nota 3

Leandro Guerreiro – Muito mal no primeiro tempo, deixou os zagueiros perigosamente expostos. Até melhorou um pouco na segunda etapa, mas uma sucessão de falhas transmitiu novamente falta de confiança e de capacidade. Tem que ser um dos primeiros a entrar na fila da transfusão de sangue. Será que só joga com o Cuca? Nota 3 

Túlio – Fazia uma partida razoável, participando das jogadas ofensivas e buscando o jogo, quando sentiu contusão. Nota 5 Foi substituído aos 35 minutos por Vanderlei, que, dessa vez, teve bastante tempo para mostrar que NÃO é opção ofensiva para o Botafogo: basta lembrar que, após um cruzamento na entrada da grande área, ele conseguiu cabecear de ombro (???) e depois pedir desculpas aos colegas. Nota 2 

Diguinho - O rendimento do único volante que estava mantendo padrão de jogo começa a cair. Os passes errados no segundo tempo foram preocupantes. Nota 4

Lúcio Flávio - Demorei para reconhecer o óbvio, mas hoje você me convenceu: Não dá mais para te defender, Lúcio. Você não consegue ganhar uma jogada no mano-a-mano, nem do reserva do Fluminense, que te desarmou facilmente no segundo tempo. E só aparece atrás da bola na hora que o juiz marca uma falta.  Nota 2

Carlos Alberto -  Fez duas boas jogadas pelas laterais, e só. Dessa vez, nem vontade demonstrou. Muito, muito pouco para quem ganha R$ 300 mil, é elogiado pelo Mourinho e sonha em voltar ao futebol europeu.  A pior partida pelo Botafogo. Nota 2

Wellington Paulista – Não está só de mal com o gol, mas também de mal com a bola. Desarmado facilmente, cruzamentos inúteis, nenhuma conclusão durante quase 80 minutos em campo. Desajeitado, fica em impedimento uma centena de vezes e ainda atrapalha algumas possibilidades de ataque. Parece o garoto que só joga a pelada porque é o dono do campo. Nota 1. Foi substituído por Fábio, que fez uma boa jogada e também protagonizou um dos lances mais ridículos da partida, quando agarrou a bola, à espera da marcação de falta, e o juiz marcou mão. Nota 1

Geninho - Após uma semana de treinamentos e sem desfalques (só Jorge Henrique, que de há muito não é indispensável), não há justificativas para que seu time tenha piorado em relação à partida contra a Portuguesa e desandado por completo. Só não foi facilmente derrotado pelas circunstâncias do adversário. Parece não ter capacidade para comandar nenhum tipo de reação. Mas, repito, não é o único culpado, e sim quem o escolheu. O Botafogo precisa, nesse momento, de um técnico enérgico e minimamente competente – não é o caso do atual treinador. Nota 3

 

 

 

Categorias: Brasileirão 2008
Etiquetado: , , , , ,

Páginas alvinegras: As quatro estrelas de 1958

22 29UTC 06pmSun, 29 Jun 2008 13:50:44 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

                                 

“Estavam juntos quatro dos maiores jogadores da história do futebol. Didi jogava com a cabeça em pé, sem olhar para a bola e com grande elegância. Cada passe com a parte externa do pé era uma obra de arte.

Garrincha bailava em campo. Balançava o corpo, deixava o marcador paralisado e saía pela direita.

Nilton Santos antevia o passe, antecipava e desarmava sem tocar no atacante.

Pelé raciocinava mais rápido que um megacomputador. Antes de a bola chegar aos seus pés, calculava a velocidade dos companheiros, dos adversários, da bola e a relação do espaço com o tempo. Achava sempre o espaço mais curto para o gol.”

 Tostão, na edição de domingo da Folha de S.Paulo, depois de ver – na íntegra, não os compactos – das duas últimas partidas do Brasil em 1958.

E, desnecessário lembrar, três dos quatro jogadores citados pelo melhor comentarista de futebol da atualidade carregavam a Estrela Solitária no peito.

Que saudade de tudo que eu não vi…

 

  

Categorias: Páginas Alvinegras
Etiquetado: , , ,

Enquanto isso, no Serra Dourada…

22 27UTC 06pmFri, 27 Jun 2008 22:43:51 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

Túlio Maravilha, 38 anos, fez mais um gol pelo Vila Nova nessa sexta-feira.

Já balançou as redes sete vezes em oito partidas.

É o artilheiro isolado da Série B, à frente do badalado Herrera, do chorinthians.

Se liga, Wellington!

Categorias: fora de campo
Etiquetado: , , ,

Perdendo de goleada

22 27UTC 06pmFri, 27 Jun 2008 20:03:54 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

No final de 2007, o fluzinho acertou com o centroavante titular do Botafogo da temporada - aquele mesmo, que tem feito cara de muxoxo na tentativa de cavar uma vaga no time que disputará a final da Libertadores. 

Agora, no meio do ano, o São Paulo contrata o centroavante reserva do Botafogo de 2007.

Para substituir os dois, trouxemos quatro jogadores.

Será que o Wellington Paulista vai ser cortejado antes do fim do ano e se transferirá para as Laranjeiras já em dezembro?

E qual dos centroavantes reservas alvinegros despontará no Morumbi em 2009? Vanderlei, Fábio ou Alexsandro?

E mais: no ano que vem, Santos e Inter vão estar de olho no Geninho?  

O Botafogo 2008 perde de goleada para o Botafogo 2007.

Categorias: Botafogo 2008
Etiquetado: , ,

André Lima no São Paulo: Amor à cami$a

22 26UTC 06pmThu, 26 Jun 2008 17:16:31 +0000ç2008, 2008 · 2 Comentários

                    

A confirmação do acerto de André Lima com o São Paulo é mais um duro golpe na auto-estima do torcedor alvinegro.

Em 2007, André Lima foi o nosso projeto de ídolo, o sucessor de Dodô, o talismã alvinegro, o cara que fazia os gols que precisávamos. Enfim, um centroavante com sangue botafoguense, lembram?

Pois é, agora o cara vai vestir a camisa tricolor.

Ao contrário dos casos de Dodô e Joilson, não torcerei contra ele. Porque nós sabemos que, se dependesse do jogador, ele estaria em General Severiano desde ontem. Mas junte-se um empresário ganancioso (pleonasmo) com um time sem dinheiro e o resultado é esse acúmulo de frustrações que marca o primeiro semestre do Botafogo de 2008.

 E que fique a lição, já desenvolvida aqui no caso do fluzinho: no futebol, dinheiro não traz felicidade. Manda comprar.

Para nós, o que resta? Wellington Paulista em interminável guerra com a bola, um bonde chamado Vanderlei, Fábio Fabuloso e Alexsandro.

Isso é torcer para o Botafogo em 2007/2008. Pouquíssimas alegrias, quase todas fugazes; e uma infinidade de frustrações.

 

Categorias: fora de campo
Etiquetado: , , ,

A fórmula do fracasso

22 25UTC 06pmWed, 25 Jun 2008 23:50:09 +0000ç2008, 2008 · 3 Comentários

                       

Os pontos perdidos pelo Botafogo no Brasileirão 2008 têm vários motivos, mas chamo a atenção para dois deles.

1) Gols sofridos no início das partidas

2) Ausência de poder de reação

Senão, vejamos:

Botafogo 1 x 1 Vasco: O time conseguiu a proeza de tomar um gol de escanteio aos 53 segundos de jogo, no cúmulo da desatenção. E só conseguiu empatar, com um pênalti duvidoso, aos 40 minutos da segunda etapa. Ou seja: 85 minutos para fazer um gol.

Náutico 3 x 0 Botafogo: Claro que foi um jogo atípico por conta da atuação truculenta da PM pernambucana, mas o time tomou o primeiro gol logo aos 12 minutos, bem antes da entrada em campo de Dona Lúcia Helena, Olhos-de-Ódio e outros policiais despreparados.

Internacional 2 x 1 Botafogo: O primeiro gol colorado saiu aos 6 minutos. E o segundo, onze minutos depois. Com menos de 20 minutos do primeiro tempo, dois gols de desvantagem. Convenhamos que isso muda qualquer estratégia previamente traçada. Só conseguimos descontar nos acréscimos, com Alessandro comemorando como se tivesse ganho a Taça Rio.

Botafogo 0 x 1 Portuguesa (foto): No único ataque de um adversário que entrou para não perder, aos 11minutos, saiu o gol, nascido em arremesso de lateral (!) que gera um cruzamento e o atacante luso é marcado solitariamente por Túlio – e a culpa não pode ser atribuída apenas ao volante, particularmente acho muito mais grave a displicência da zaga. Três pontos perdidos dentro de casa.

Ora, além da óbvia falta de atenção no início da partida, impressiona o fato de, no segundo tempo, não haver nenhum tipo de alteração tática nem técnica que possibilite uma reação. Tudo bem, o banco não tem opções, mas me parece cristalino que, se a estratégia não funcionou nos minutos iniciais, é preciso mexer. Mudança de atitude dentro e fora de campo – mas isso não vem acontecendo, daí vêm os resultados adversos. E, sinceramente, o sonolento Geninho não parece a pessoa mais indicada para comandar essa reação. Muito menos Lúcio Flávio; talvez só o Carlos Alberto.

Um time limitado, desatento e sem poder de reação sempre será um time à beira do precipício. No gramado e na tabela.

 

Categorias: Uncategorized
Etiquetado: , ,

Eurocopa: O sonho impossível do Pereirão

22 25UTC 06pmWed, 25 Jun 2008 18:08:40 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

“Eu só queria ver o Botafogo jogando 30 minutos com a mesma garra, vontade e destemor da Turquia nessa Eurocopa ao enfrentar adversários como a poderosa Alemanha.  Mesmo que perdesse a partida, mas que vendesse muito caro a derrota. Não precisava ser o jogo inteiro nem todos os jogos - só meia-hora, uma vez por mês, já seria o suficiente…”

Do Pereirão

Categorias: fora de campo
Etiquetado: , , ,

Zagallo preocupado: fala, Vieira!

22 24UTC 06pmTue, 24 Jun 2008 17:52:49 +0000ç2008, 2008 · 1 Comentário

“A coisa está feia para o Botafogo. É preciso uma renovação. Aproveitar o que tem de bom e começar tudo de novo”

Zagallo, em comentário exclusivo para o Fogo Eterno

Vieira

Categorias: Uncategorized

Histórias Gloriosas – As crônicas do Pereirão

22 23UTC 06pmMon, 23 Jun 2008 22:48:48 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

A Copa da Suécia: O grande porre de 1958

 C. Pereira

Já se foram 50 anos,  mas lembro bem como foi a  saga de 1958 quando a seleção brasileira ganhou a Copa do Mundo pela primeira vez. Ficou acertado que, naquele  mês de junho,  iríamos ouvir os jogos do Brasil no casarão dos Lyra, numa das mais antigas avenidas de João Pessoa. E assim foi feito durante a Copa, cujos jogos eram acompanhados pelo rádio pois ,  à época,  por aqui  ainda não havia televisão.
Em todos os jogos, o ritual era o mesmo. Primeiro, uma passada no Ponto de Cem Réis, o principal ponto de encontro da cidade,  onde alguns alto-falantes pendurados em postes de altura mediana, distribuíam o som da rádio Bandeirantes de São Paulo que transmitia diretamente da Suécia, na voz inconfundível do grande locutor Edson Leite, aquele que ficou famoso com o bordão “Placar na Suécia”. A multidão, ouvidos exigentes, se comprimia no democrático quadrilátero,  livre para todas as manifestações – religiosa, política, esportiva. Uma espécie de Hyde Park paraibano onde todos podiam falar mal de todos… 
 A transmissão chegava com muitos defeitos. Era uma sucessão de ruídos, de engasgos e de interrupções, para os quais a torcida não estava nem aí. Ninguém arredava pé; copos de cerveja na mão, muitas bandeiras brasileiras tremulando e bonés em  verde amarelo criavam um cenário festivo, juntando uma maré de gente que só se via igual nos comícios dos candidatos a Governador.
Somente o nosso grupo dos oito saía antes de começar a partida, porque o projeto montado para a Copa não podia nem devia ser interrompido. Tínhamos a obrigação de ouvir o jogo final na mesma casa, mantendo os mesmos ingredientes (comidinhas, bebidas e se possível a mesma roupa) dos jogos anteriores. E assim foi, de repente estávamos rumando para a General Osório, onde a dona da casa nos esperava na porta, ansiosa, temendo que quebrássemos a corrente, construída a partir do primeiro jogo, quando a seleção brasileira ganhou bem da Áustria, por 3×0, com um  dos gols marcados pelo inigualável Nilton Santos, do Fogão – é claro!
Chegamos, nos abancamos na sala, diante de um rádio Phillips holandês, bem sintonizado na rádio Bandeirantes, nas ondas curtas de 31 metros, numa operação comandada pelo dono da casa  que entendia do assunto. E, para minha surpresa, houve uma proposta que foi aceita por todos: a cada gol do Brasil, os homens teriam de tomar um copo  cheio de bate-bate (caipirinha, para os sulistas) de maracujá, cabendo às mulheres (se quisessem) um copinho daqueles de servir licor. Diga-se, de passagem, que o bate-bate fora preparado com bastante carinho:  dois baldes de cachaça de cabeça, mel de abelha e suco de maracujá, a fruta apanhada no quintal de casa.
O pacto foi firmado e, como os mais velhos  recordam, o Brasil ganhou de 5×2 e, assim, foram pelo menos cinco copos cheios de bate-bate goela abaixo. O que representou um passo decisivo para uma semi-embriaguez que me acompanhou depois do jogo e durante  aquela tarde em que me incorporei a um bloco de sujos formado no caminho de casa. De rua em rua, de parada em parada e de mais outros goles, cheguei em casa (não sei como) e acordei, depois das dez da noite, embaixo de um chuveiro de água gelada, a minha mãe gritando para me chamar de volta à vida e, aos brados, dizer que aquilo acabava com a minha saúde.
No dia seguinte, depois de uma noite muito mal dormida, cheia de dor-de-cabeça e arrependimento, me prometi que jamais tomaria um porre igual àquele. Nem que a seleção ganhasse outra Copa do Mundo – o que aconteceria quatro anos depois, mas isso já é outra história…
Hoje, quando a seleção disputa partidas como essas últimas, contra a Venezuela, Paraguai e Argentina,  garanto que não consegui tomar sequer uma simples taça de vinho tinto – que, como dizem os entendidos, também é bom para o coração. 
 É meus amigos, a coisa mudou – para muito pior…

C.Pereira é jornalista e alvinegro, não necessariamente nessa ordem. E, como todos nós, ficou revoltado com a atuação do Botafogo no sábado – especialmente no segundo tempo. Ainda mais porque tinha acabado de assistir um jogaço na Eurocopa e o contraste ficou evidente…

                                                                    

Categorias: Histórias Gloriosas
Etiquetado: , ,

Conversa de repartição

22 23UTC 06pmMon, 23 Jun 2008 17:53:09 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

Vieira: Na crônica do jogo, você esqueceu de dar a nota para o Geninho!

Pereira: É verdade, eu nem lembrei que ele estava lá. Aliás, nem lembrei que tinha um técnico no banco do Botafogo. O cara fica quieto durante o jogo, não faz nada, é o treinador do tanto-faz. Tinha obrigação de ter acertado o time para continuar pressionando no segundo tempo, mas nem isso elel conseguiu…

Vieira: Geninho é um treinador aposentado ainda em atividade. Tô pegando fama de chato, mas para ser técnico do Botafogo tem que ter um algo a mais. Ele não tem, vive de um título que ganhou com o Atlético-PR há uns dez anos, e só.

Pereira: Pois é, ele também me dá a impressão que, quando está de folga no domingão, fica cochilando no sofá em vez de observar os adversários. Envolvimento zero. Aí realmente dá saudade do Cuca.

Vieira: E agora esse papo do Carlos Alberto ir embora…

Pereira: É, mas ele não jogou nada no sábado, Vieira.

Vieira: Sim, mas é o único jogador de verdade que a gente tem! Eu acho que devia começar tudo de novo. E com tudo novo. O estádio não é novo? Então, monta um time novo, com gente com garra, que chegue disposta a brigar. E, claro, com um técnico novo também: novo nas idéias, não só de idade. Se é para brigar apenas pra escapar do rebaixamento, vamos brigar com garra, sem cai-cai, com vontade.

Pereira: Se é essa a nossa única pretensão, você tem toda razão.

 

  

 

Categorias: Botafogo 2008
Etiquetado: , , ,

Obrigado, Stival

22 22UTC 06pmSun, 22 Jun 2008 20:30:14 +0000ç2008, 2008 · 2 Comentários

O Botafogo só escapou de entrar na zona de rebaixamento por conta da surpreendente derrota do Santos para o Goiás em plena Vila Belmiro: 4 x 0.

Aliás, salvo engano, o Botafogo de Cuca jamais perdeu por uma diferença de quatro gols.

Claro que não era essa a intenção, mas, mesmo à distância, o treinador continua a ajudar o Botafogo.

 Valeu, Stival!

E melhor sorte daqui pra frente.

Pra você e pra gente.

Categorias: Brasileirão 2008
Etiquetado: , , ,

Botafogo 0 x 1 Portuguesa: A casa caiu

22 21UTC 06pmSat, 21 Jun 2008 20:58:54 +0000ç2008, 2008 · 1 Comentário

                            

Já tinha escrito aqui: o Botafogo perde com facilidade fora de casa e ganha com dificuldade dentro de casa. Um dia a casa iria cair.

Caiu nesse sábado.

Basta lembrar das vitórias pelo Brasileirão: o 2 x 0 em cima do Sport, mas o rubro-negro teve gol mal anulado e perdeu chances claríssimas de gol quando o placar ainda não tinha sido inaugurado. E o 2 x 1 no Coritiba, com gol de pênalti aos 40min do segundo tempo.

Hoje não teve apito amigo nem pênalti salvador. Então, veio a derrota. 

Porque, como já demonstrara contra o Inter, o Botafogo tem contrariado os dois princípios para construir uma vitória. Atenção, então, para o aviso a ser fixado na concentração em GS:

1. NÃO TOMAR GOL

2. FAZER GOL

Enquanto as regras do futebol não forem alteradas, de nada adiantará ter maior posse de jogo, maior número de jogadas aéreas, de finalizações, etc, se as duas regras acima forem desrespeitadas.

De nada adianta fazer um bom primeiro tempo, como fez hoje no Engenhão, com a eficiente utilização dos laterais (especialmente Alessandro), jogadas perigosas criadas por Lúcio Flávio,  ter maior volume de jogo se as pessoas responsáveis por colocar a bola para dentro (sim, é com você, Wellington) não desempenham seu trabalho com o mínimo de eficiência.

O Botafogo deu uma interminável demonstração de incompetência. Especialmente no segundo tempo.

Porque, se a pressão tivesse continuado no mesmo ritmo dos 45 minutos iniciais, é óbvio que pelo menos o time teria conseguido ao menos um empate.

Mas, por culpa da inapetência do técnico e de um banco de qualidade zero (como destacou o Alex Escobar, quando Vanderlei e Fábio são as opções, a coisa é preocupante), o jogo decaiu de vez e o time foi se apagando, apagando até sumir de vez.

A situação se torna cada vez mais preocupante. Até porque Carlos Alberto, pela primeira vez, jogou mal, muito mal: fominha todos sabemos que ele é, mas nesse sábado seu futebol foi improdutivo. Como foi também o do Jorge Henrique, muito mais ligado na hora de reclamar dos salários atrasados.

Só duas boas contratações (eu lembro da frase do Montenegro no Arena Alvinegra - ”O Botafogo precisa de um meia e de um atacante fora de série”)  podem colocar novamente o time nos eixos.

Repito: o time fez um bom primeiro tempo, talvez o melhor em todo o Brasileirão, por conta da volta dos laterais e das chances criadas. Mas a ausência do homem-gol derrubou todo o esforço dos 45 minutos.

Castillo - Não acho que tenha falhado no gol, mas como foi a única bola que foi em sua direção, bem que poderia ter se antecipado no lance. Nota 5

Alessandro - Muito bem no primeiro tempo, apoiando com eficiência e perigo, já que não tinha quem marcar. Depois, se perdeu. Nota 6

Renato Silva – Discreto, não teve trabalho. Nota 5

Ferrero – Bom retorno, apesar de alguns lances violentos. Poderia ter arriscado mais a saída de bola, que o diferencia dos outros zagueiros. Nota 6

Triguinho - Bem no início, depois foi sumindo. Sentiu cãibras no final. Nota 5

Leandro Guerreiro - Um dos três piores do time. Nas poucas vezes que teve que marcar, perdeu os lances e teve que apelar para faltas. Não tem condições de enfrentar atacante perigosos e rápidos no mano-a-mano. Nota 3

Túlio – Razoável, não comprometeu na marcação e apoiou com algum perigo. Ainda pode fazer muito mais. Nota 5 Acertadamente, já que não havia quem marcar, foi substituído por Vanderlei, que não fez a diferença que se espera de um centroavante - Nota 4

Lúcio Flávio - Muito bem no primeiro tempo. Criou as chances, fez boas inversões de bola e os lançamentos que se cobra dele. Enfim, atuou com maior objetividade. Mas exagerou nas tentativas das jogadas ensaiadas e cansou muito cedo. Pra variar, sumiu na segunda etapa. O time não pode ser refém, na criação, de um único jogador. Nota 6,5

Carlos Alberto - A pior atuação com a camisa alvinegra. Começam a aparecer os problemas que já levaram outros torcedores à loucura: necessidade do último toque antes do chute, excesso de firulas, reclamações excessivas. Se não conseguir superar a zaga da Portuguesa, vai superar quem? Nota 4,5

Jorge Henrique - Tinha obrigação de ter criado mais alternativas de gol. Não conseguiu e ainda se omitiu da partida. Atuação ridícula. Nota 2

Wellington Paulista - Dessa vez, teve chances claras de definição. Um centroavante não pode perder a chance que lhe foi oferecida após enfiada de bola de Lúcio Flávio. Nem, sozinho, cabecear e permitir a defesa do goleiro. Lamentável. Nota 2 Foi substituído por Fábio, que, pra variar, não fez nada e dessa vez não conseguiu nem cavar faltas. Nota 3

 

 

 

Categorias: Brasileirão 2008
Etiquetado: , ,

Fogo amigo – O adeus de Cucalic

22 20UTC 06pmFri, 20 Jun 2008 22:15:27 +0000ç2008, 2008 · 1 Comentário

                              

                           “Essa derrota vai doer pelo resto da minha vida”

A frase é de Slaven Bilic, técnico da Croácia, após a incrível eliminação de sua seleção graças a um gol nos acréscimos da prorrogação (os caras já foram moralmente derrotados para as penalidades), dois minutos depois de marcar o gol que garantiria uma vaga na semifinal da Eurocopa.

Foi só eu que achei que o gente-boa Bilic, que apareceu vibrando alucinadamente com os jogadores na hora do gol e depois os consolando quando eles caíram em prantos com a desclassificação, lembrou o Cuca?

E não se esqueçam: nesse sábado, na preliminar de Botafogo x Portuguesa, tem Holanda x Rússia!

Oranje neles!

 

Categorias: Botafogo 2008 · fogo amigo
Etiquetado: , ,