Fogo Eterno

Histórias Gloriosas – As Crônicas do Pereirão: O melhor Botafogo de todos os tempos (III)

22 27UTC 05pmTue, 27 May 2008 15:37:19 +0000ç2008, 2008 · Deixe um comentário

O inesquecível gol de Maurício em 1989
C. Pereira

 O último título de campeão carioca do Botafogo havia sido conquistado em junho de 1968,  numa tarde memorável em que enfiamos 4×0 no todo-poderoso vasco, com direito a olé e show de bola – conforme foi dito aqui na semana passada.

Depois disso, foram intermináveis 21 anos de jejum, período em que o clube atravessou crises políticas, financeiras e técnicas com vários times que quase ninguém lembra.
Na noite de 21 de junho de 1989, o Maracanã recebeu um numeroso público -  mas  não tão grande quanto o do jogo final de 1968 a que me referi na semana passada. Era mais uma decisão de campeonato,  o jogo foi contra o flamengo e o Glorioso obteve uma vitória histórica.

 O placar foi 1x 0, gol de Maurício, até hoje lembrado pelos botafoguenses e contestado pelos rubro-negros (os mais idosos).
 Dessa feita, eu não estava no Maracanã, ao lado dos quase setenta mil espectadores, divididos meio a meio (segundo os estatísticos de plantão), mas assisti ao jogo pela televisão aqui em João Pessoa, na casa do mano Zé Humberto e tendo à minha direita (como nos escritos bíblicos) um dileto amigo,  apaixonado torcedor do flamengo com o qual, aliás, dividi alentadas doses do melhor uísque escocês.
 O gol de Maurício – ainda hoje homenageado pelo feito – nasceu de uma jogada quase perdida, no  segundo tempo. Mazolinha, que havia entrado no lugar de Gustavo, centrou e Maurício, com a ponta da chuteira, tocou de leve para o arco de Zé Carlos que nada pôde fazer.
Foi uma noite inesquecível. O jejum foi quebrado, os títulos voltaram a acontecer e, para valorizar ainda mais aquela conquista é bom que se registre: o flamengo tinha, no seu time titular, entre outros, Jorginho, Aldair, Leonardo,  Bebeto e Zinho – todos titulares da seleção de 94, tetracampeã do mundo, além de Zico, o maior ídolo da história do clube.
 O time do Fogão (bem mais  modesto do que o adversário) foi campeão com Ricardo Cruz, Josimar, Wilson Gotardo, Mauro Galvão e Marquinhos; Vitor, Carlos Alberto e Luizinho. Maurício, Paulinho Criciúma e Gustavo (Mazolinha) que, principalmente pelo título obtido, passou a figurar na galeria dos melhores.
Todos sabem que o Botafogo é reconhecidamente um clube de superstições e sobre aquela partida, Valdir Espinosa que era o técnico,  escreveu o texto que segue:
“Durante todo o campeonato estadual do Rio de Janeiro de 1989, em todas as preleções realizadas antes dos jogos, o Luizinho, meio campo titular daquele time, comparecia vestindo uma camisa do Nápoli que ele tinha ganhado de Maradona. Foi assim do primeiro jogo até o penúltimo. Sim, o penúltimo, pois no dia do jogo final contra o flamengo, antes de iniciar a palestra olhei para todos os jogadores e não encontrei a camisa azul do Nápoli. Não falei nada, olhei para o Luizinho, olhei para o restante do grupo e novamente para o Luizinho. Sorrindo, ele abriu a bolsa, pegou a camisa do Maradona e vestiu. Só aí comecei a preleção.”
E como há coisas que só acontecem com o Botafogo, é interessante anotar o reforço que conseguimos nos últimos dias, graças a um botafoguense convicto daqui de João Pessoa.  Para melhorar o atual elenco (que é bem inferior a alguns do passado), estamos contando com o inestimável apoio do cachorrinho Perivaldo, para (quem sabe?) reviver  os bons  tempos de  Biriba e Carlito Rocha.
Aliás, é fundamental que a diretoria do Fogão contrate o Perivaldo com urgência, antes que algum urubu queira pousar na sua sorte…

C.Pereira é jornalista e alvinegro, não necessariamente nessa ordem

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