Fogo Eterno

Cruzeiro 1 x 0 Botafogo: Perda de tempo

05pmSat, 17 May 2008 22:15:49 +0000ço 22, 2008 · Não Há Comentários

                      

Pronto, voltei.

Mas o desânimo não foi embora.

Não há muito o que falar dessa derrota, a não ser que foi uma dupla perda: de tempo para quem assistiu e  de três pontos para quem jogou.

Sem padrão de jogo, o Botafogo foi facilmente envolvido pelo Cruzeiro logo nos primeiros minutos. Eles estavam a 80 km/h, nós não conseguíamos engatar nem segunda marcha. Quem conseguir lembrar de uma jogada perigosa criada pelo time na primeira etapa leva para casa a camisa do Eduardo - está sequinha, o rapaz não suou nada durante a partida.

Túlio Souza, pior em campo, relembrou sem que ninguém pedisse o primeiro tempo na final contra o flamengo: deixou o setor direito completamente aberto. E foi assim, quando Renato Silva foi tentar corrigir a falha de posicionamento do ala e tomou por baixo das canetas, que nasceu o pênalti bobo cometido pelo Leandro Guerreiro (havia outros três jogadores alvinegros perto da bola e Castillo já fechava o ângulo para o atacante adversário): Cruzeiro 1 x 0.

E o primeiro tempo só não acabou de forma vexatória porque Castillo fez três ótimas defesas, uma delas bem difícil, de puro reflexo. O resto do time não produziu nada de relevante. Carlos Alberto bem que tentou; nos primeiros minutos, chamou para si a responsabilidade e demonstrou disposição. Depois foi se apagando até ser substituído.

Com a defesa batendo cabeça e Ferrero, lento, perdendo todas na corrida, restava ao meio-de-campo reter a bola na intermediária. Que nada. Não havia jogadas pelo meio, ninguém acionava Wellington Paulista, perdidinho no meio dos zagueiros. O único chute perigoso veio do zagueiro argentino, a bola passou por cima. E quando o elemento-surpresa do ataque se chama Renato Silva, é porque a coisa está feia. Não vi a estatística, mas desconfio que o Cruzeiro deve ter tido uns 70% de posse de bola - o Botafogo sequer conseguia trocar quatro passes.

No segundo tempo, Cuca colocou Bruno Costa no lugar de Edson e Lúcio Flávio no lugar de Ferrero. Depois, Túlio Souza foi justamente expulso após novamente chegar atrasado e desferir um carrinho desleal. Cuca teve que mexer de novo: Abedi substituiu Carlos Alberto, afundando o time de vez.

Enfim, um jogo para ser esquecido. Mesmo assim, vamos às notas:

 Castillo - Não fosse por ele, seria goleada. Mais uma vez, demonstrou a virtude que faltava aos goleiros alvinegros: sabe “ler” o lance e fecha o ângulo, saindo nos pés do adversário sem cometer pênalti. Lembram o que o Júlio Chester fez contra o mesmo Cruzeiro no ano passado? Nota 8

Túlio Souza - Tinha avançado duas casas para ganhar minha confiança, agora voltou ao estágio inicial. E o pior: tem se revelado um jogador violento, que corre o risco de ser expulso a cada partida - como foi hoje. A maior decepção do ano até agora. Nota Zero

Renato Silva - Voltou a ser o Renato Silva de 2007: perde-e-ganha na defesa (hoje mais perdeu do que ganhou, como na jogada que resultou no pênalti), atabalhoado no apoio. Ainda teve a marra de dar uma de Romário e reclamar que o Ferrero, quando chutou para fora a única chance real alvinegra na partida, não cruzou a bola para ele. Menos, RS, menos. Nota 4

Ferrero - Lento e fora de ritmo, deixou por duas vezes o Cruzeiro chegar na cara de Castillo. Mas, com dois ou três passes, tentou ligação direta com o ataque, nos lembrando que essa é uma arma há tempos desativada no Botafogo. Nota 4 Foi substituído no intervalo por Lúcio Flávio, que, impecavelmente arrumado, camisa pra dentro do calção, assim permaneceu por 45 minutos. Nota 4

Edson - Entrou em campo? Nota 2 Foi substituído por Bruno Costa, que ao menos se antecipa e tenta participar da partida. Nota 4

Leandro Guerreiro - Mesmo na sua posição original, está longe de ser o jogador de 2007. O pênalti desnecessário que cometeu, infelizmente, foi a prova da má fase. Nota 4

Diguinho - Esforçado no primeiro tempo, ainda tentou armar alguma coisa. Voltou a errar passes fáceis. Ainda não repetiu no Brasileirão nem na Copa do Brasil as atuações do Carioca. Nota 5

Tiaguinho - Boa movimentação, marcação forte, quase sempre eficiente, apesar da evidente limitação técnica. O negócio dele é destruir: é o volante-volante. No segundo tempo, caiu de produção. Pode fazer sombra para Túlio. Nota 5

Eduardo - Só foi notado em campo por conta da cor das chuteiras: amarelas, em tom berrante. Outra grande decepção do pacote de contratações de 2008. Nota 1

Carlos Alberto - Em dois minutos, demonstrou mais técnica e visão de jogo do que Adriano Felício em 365 dias. Estava afim de jogar - mas não tinha companheiros à altura. Ainda no primeiro tempo, porém, abusou das jogadas individuais sem produtividade, o que nos fez lembrar este que é seu principal problema. No segundo tempo, desistiu de vez e foi substituído. Nota 6. Foi substituído por Abedi, que armou um contra-ataque perigoso para o Cruzeiro, chutou duas bolas horrorosas e provou novamente que não tem condições de ser jogador do Botafogo. Nota 2

Wellington Paulista - Isolado, não produziu nada de relevante. Nas raras vezes que pegou na bola, não acertou nada, foi facilmente desarmado por uma zaga que está longe de ser brilhante. Pior: tem jogado mais com os braços (faz faltas adoidado) do que com as pernas. Nota 4

Cuca - O time não demonstrou o mínimo padrão de jogo, não teve meio-de-campo, não produziu nenhuma jogada perigosa, teve jogadores (Eduardo, Edson) fugindo da bola e ele ainda elogiou a equipe pela “aplicação”. Seria melhor o silêncio. Nota 3

Foto:Lancenet

 

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