Fogo Eterno

Fogo 2 x 0 Galo: Crescimento sem espetáculo

05amThu, 15 May 2008 02:18:08 +0000ço 22, 2008 · Não Há Comentários

                    

Torcedor do nosso próximo adversário na Copa do Brasil, o presidente Lula já trombeteou as conquistas da política econômica de seu governo como “o espetáculo do crescimento”.

Pois o Botafogo vai na contramão lulista. Pratica esse ano, na Copa do Brasil, o crescimento sem espetáculo. E foi assim, na base da disposição que, pelo segundo ano consecutivo, o time elimina o Atlético-MG e chega às semifinais da Copa do Brasil.

 Primeiro, a constatação necessária: o resultado demonstra a consistência da evolução alvinegra sob o comando de Cuca, que novamente leva o alvinegro a antesala da decisão de uma competição nacional (surrupiada em 2007 pela Ana P… de Oliveira).  Para chegar entre os quatro em 2008, vale lembrar, foi necessário eliminar dois times da Série A - o caminho do Botafogo só não é mais pedregoso do que o do Sport. Ao contrário do vasco, que somente agora enfrentará um time da primeira divisão.

Agora, a grande diferença Botafogo de 2007 e de 2008. No ano passado, nós chegamos à semifinal cheio de futebol para mostrar e encantar o Brasil. Um time de alta qualidade técnica, toque de bola envolvente, jogadores em ótima forma, clamorosamente garfados e traídos por um goleiro que, depois, se mostrou não só totalmente inseguro como de caráter, digamos, duvidoso. O inimigo estava na nossa meta e a gente ainda nem desconfiava…..

A verdade é que o Botafogo de 2008 é muito mais limitado tecnicamente do ano passado. Chega às semifinais aos trancos e barrancos, sentindo a falta até do Triguinho (!). A queda de produção do time, especialmente no primeiro tempo, se mostra visível a cada semana. E só escapamos da eliminação nas oitavas-de-final porque está para ser inventado um ataque mais incompetente do que o do Atlético-MG, que promoveu um autêntico rodízio de gols perdidos nas duas partidas.

O maestro do Botafogo, Lúcio Flávio, novamente, esqueceu as partituras do concerto em General Severiano: agora nem mais as cobranças diretas de falta ele consegue acertar. E é inadmissível que, dentro de casa, o time tenha cedido campo e deixado o adversário dominar o primeiro tempo. Nada de bom foi apresentado ao longo de 45 minutos: jogadas pelas laterais, tabelinhas, ultrapassagens… enfim, um primeiro tempo medíocre.

Na segunda etapa, Cuca acertou o posicionamento da rapaziada e a partida ficou mais equlibrada, ainda que somente na base da disposição. Surgiram as ultrapassagens, Túlio chegou com maior eficiência ao ataque, e ao menos o time não esmoreceu.  E foi justamente quem demonstrou maior espírito de luta, Zé Carlos, o responsável pelo gol que desafogou a pressão. Logo quem, o Zé Carlos, vejam a nossa situação…

Cuca mexeu bem na equipe e fechou ainda mais a defesa com a entrada de Edson. Na sequência, colocou em campo Alexandro e Túlio Souza. A boa notícia é que os dois demonstraram, mesmo em poucos minutos, condições de brigar por uma vaga no time titular: foram responsáveis pela bela jogada do segundo gol, já nos acréscimos, culminada no chute certeiro de Alessandro. E, enfim, acabou o sufoco.

No balanço geral, ficou assim:

Renan - Seguro, não comprometeu e se posiciona muito bem. Nota 7

Alessandro - Nulo no primeiro tempo, foi pelo lado dele que o Galo armou as jogadas mais perigosas, que só não foram convertidas em gol pela incrível incompetência do adversário. Subiu de produção na segunda etapa. Nota 6

André Luiz - Um dos melhores em campo, rebateu bola para todo lado, como convém a um zagueiro-zagueiro do seu porte. Nota 7,5

Renato Silva - Tentou se antecipar e acertou alguns botes. No segundo tempo, quando ainda estava 0 x 0, surgiu como elemento-surpresa no ataque, para vocês verem a nossa situação… Nota 6,5

Leandro Guerreiro - Melhorou em relação ao desastre dos jogos anteriores, mas ainda é envolvido com facilidade pelos adversários. Nota 6

Túlio - Tem errado passes que não costumava errar. Subiu de produção no segundo tempo, quando fez jogadas de efeito e quase fez um gol que, desconfio, lhe daria novamente confiança. Nota 6,5

Diguinho - Não tem repetido na Copa do Brasil as atuações no Campeonato Carioca. Mesmo assim, a capacidade de antecipação o faz imprescindível no atual time. Tomou o terceiro cartão e está fora do próximo jogo. Nota 7

Lúcio Flávio - Muito aquém do que nós sabemos que ele pode fazer. Mas, mesmo quando joga mal e some da partida, é muito mais perigoso do que Felício no seu esplendor. Por isso, tem que ficar em campo. Nota 5

Zé Carlos - É visível que faz um esforço brutal para jogar futebol, e por essa disposição pode-se dizer que melhorou em relação às péssimas partidas anteriores. Mas ainda é muito pouco para ser titular do Botafogo. Premiado com a jogada do gol. Nota 7

Wellington Paulista - Dois chutes bisonhos e nenhuma jogada individual de destaque. Muito aquém do que nós já vimos ele fazer.  5

Jorge Henrique - Caiu, se jogou, mostrou disposição para marcar, mas está aquém do que nós já vimos ele fazer. 6

Cuca - Acertou o posicionamente do time no segundo tempo e, dessa vez, acertou nas substituições. Nota 8

Quem sabe se, agora jogando mal, a gente conquista o que não conseguimos quando jogávamos bem…

Mas a verdade é que, para suportar a pressão de um Corinthians em ascensão e enlouquecido atrás de um título, o Botafogo terá que jogar muito, mas muito mais do que vem jogando na Copa do Brasil até agora.

Foto:agência Lance

 

Categorias: Botafogo 2008
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