No início da semana, o Ramos, colega de repartição e vascaíno doente, passou por mim e lançou a seguinte provocação-constatação:
”Legal vocês ganharem do Flamengo, mas por que vocês não entram mais com a camisa alvinegra nos clássicos? É superstição? Vocês começaram a achar azarada a camisa que Garrincha, Nilton Santos e outros tantos usaram? Isso é um vexame, não?”
Eu pensei em dar uma resposta desaforada para ele, logo um vascaíno, que não ganhou nenhum clássico este ano. Mas fiquei quieto e depois tive que reconhecer: não é que o Ramos tem razão?
Porque se o motivo é o fato de as mais duras derrotas recentes terem sido quando estávamos de camisas listradas, foi com a mesma camisa que obtivemos as maiores conquistas ao longo de nossa história.
Uma coisa é a torcida ser supersticiosa: no dia do jogo, vale colocar a cueca pelo avesso, não cumprimentar o vizinho do 202, sentar sempre no lado esquerdo do sofá, ir ao Maracanã com a camisa que viu o título de 1989, comer manga com sal, abaixar o volume da tevê e ficar apenas na narração do rádio… vale tudo.
Outra coisa é a diretoria acreditar que a superstição pode sair da arquibancada, entrar em campo e influir no resultado.
Atribuir insucessos à mais bela camisa do mundo? Nem pensar!
Exemplo recente: Não foi porque envergava a camisa clássica que Fábio cabeceou na trave e a bola não entrou aos 47 minutos do segundo tempo da decisão da Taça Guanabara contra o flamengo. Nada disso! A bola não entrou porque Fábio não possui qualidade técnica suficiente para exercer a tarefa que se espera de um centroavante quando acionado: desviar do goleiro e guardar nas redes. Bola na trave não é azar, mas imprecisão. Simples, assim.
Tudo isso para dizer que o flu ganhou, na tarde dessa sexta, um sorteio qualquer e, em vez do tradicional listrado com destaque para o gre-ná, escolheu jogar de branco para forçar o Botafogo a entrar com a camisa alvinegra no domingo. Em resposta, a nossa diretoria teria optado pelo uniforme inteiramente preto. Francamente!
Superstição é divertido, mas não ajuda a ganhar jogo, rapaziada! Anular o Thiago Neves, sim! Bloquear as subidas do Tiago Silva, também!
Nada contra os outros dois uniformes (particularmente, prefiro o negro, e ainda sonho em ver uma camisa número 4 toda cinza), mas Botafogo é, foi e sempre será, listrado em preto-e-branco. Esse é o nosso DNA.
E vou parar por aqui, porque tenho de separar a camisa pra o jogo de domingo…

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