Coritiba 2 x 3 Botafogo: Os vencedores

Um time saiu vencedor nesse domingo no Couto Pereira. E, para nossa glória, foi o Botafogo de Futebol e Regatas.

Porém há outros vencedores na partida: o primeiro deles, claro, chama-se Lucas; dois gols, um em cada tempo. Justo ele, tão associado esse ano ao número dois  – os cartões vermelhos que tomou na Copa do Brasil e na final  do ano. E, permitam-me dizer, não foram gols fáceis, mas que demonstraram frieza e precisão na hora da conclusão. Fora que o pique no tento da vitória, após um lançamento espetacular do Elkeson, foi igualmente redentor.

Também foi vencedor o time que entrou em campo, inexperiente e desfalcadíssimo, por não ter se intimidado  com a pressão de jogar no Couto Pereira – ainda mais depois de tomar um gol com menos de um minuto. O espírito coletivo de jogadores como Marcio Azevedo, Herrera e Jadson, que jogaram com seriedade o tempo inteiro, fez a diferença e foi igualmente premiada com a vitória.

É um vencedor também o jovem zagueiro Dória, arremessado numa fogueira imensa pela incompetência da diretoria na montagem do elenco. Sim, o estreante andou falhando algumas vezes, mas jamais esmoreceu – e também mereceu sair de campo com a certeza do dever cumprido.

Por fim, o outro grande vencedor do jogo foi Victor Júnior, ao lado do Lucas, o nome do jogo. Sua habilidade e vocação ofensiva fizeram a diferença, em especial no primeiro tempo. Não tem medo de chutar nem de partir pra cima – e o Botafogo estava precisando de um jogador com essas características.

Ah, o time então fez uma ótima partida? Não, muito longe disso. Mas o Coritiba também não – e a obrigação da vitória era do time paranaense, ainda mais depois de 28 jogos sem perder em casa. E, tenho certeza, outros times vão penar para conseguir arrancar ao menos um ponto no Couto Pereira.

Enfim, um resultado importante não só pelo que foi, mas pelo que representou.

Aplausos para todos os que participaram dessa partida – menos para o Maicosuel, que fez um jogo para ser esquecido.

Foto: Botafogo Oficial/AGIF

Botafogo 4 x 2 São Paulo: Dois tempos, dois atacantes

Depois de um início fulminante, mas que durou apenas 5 minutos, o Botafogo sumiu de campo na primeira etapa. Disperso, sem vontade e sem organização,  deixou para estrear no Brasileirão somente após voltar do intervalo no Engenhão.

“Vamos esquecer o primeiro tempo e voltar no segundo tempo com pegada para ser campeão”, prometeu Jefferson à CBN antes de descer para o vestiário. Não conhecesse o temperamento de nosso goleiro, poderia até acusá-lo de falar bravata despropositada.

Mas não é que ele tinha razão? A alteração promovida por Oswaldo, com a entrada de Herrera no lugar do inoperante Loco Abreu, mudou o jogo. A nosso favor. Pois, como poetizou o Cleber Machado na transmissão da Globo, o argentino foi o “incendiador” da partida. Fez um belo gol de cabeça (no único cruzamento que Lucas acertou), sofreu pênalti (e converteu com tranquilidade, sem hesitação), demonstrou eficiência ao fuzilar bola espertamente roubada pelo Fellype Gabriel… enfim, como definiu o Pereirinha, o argentino desmontou a defesa do tricolor paulista.

Mas a culpa foi só do Loco pela inapetência do time na primeira etapa? Não vejo assim. É óbvio que o uruguayo não está bem das pernas nem da cabeça, mas o esquema do Oswaldo ainda piora as coisas, ao deixá-lo isolado na frente, ainda mais quando Maicosuel está numa daquelas tardes em que não acerta nada (foi o caso desse domingo).  Sem movimentação ofensiva, o Loco vira presa fácil para os zagueiros adversários.

Vale também destacar, nessa vitória de encher os olhos pela forma inusitada que foi construída na segunda etapa, a desenvoltura do Victor Jr., praticamente um estreante. O ex-jogador do Corinthians não sentiu o jogo, pelo contrário: partiu para cima, chutando e procurando a bola o tempo inteiro.  Acabou sendo premiado com um gol após cobrança de falta. Parece que temos uma boa opção, ainda mais com as lesões crônicas do Andrezinho e do Maicosuel.

Mas a defesa do Botafogo segue frágil e desmilinguida. A ingenuidade de Brinner, no segundo gol são-paulino, ao marcar por trás o Luis Fabiano, foi comovente. E os rombos deixados por Lucas e Marcio Azevedo nos flancos continuam sendo o nosso calcanhar-de-aquiles.

Agora, o que fazer para o próximo jogo? Barrar o Loco e efetivar o Herrera como titular? Não, eu não me atreveria a tanto, levando em conta o histórico de perde-perde-perde-ganha o argentino. Mas eu levaria mais em conta os jogadores que entram com disposição de vender caro uma derrota – ou de brigar até o fim pela vitória, como fez o Herrera nesse domingo iluminado no Engenhão.

PS: A defesa de Jefferson no cabeceio à queima-roupa do Luis Fabiano foi uma das intervenções mais miraculosas que eu já vi um goleiro fazer nos últimos tempos. Coisa de quem está com os reflexos afiadíssimos.

PS II: Quando, ao ser entrevistado no pós-jogo ainda no gramado, o argentino disse que não iria pedir música no Fantástico e deixou a reportagem da Globo desnorteada, Herrera fez o seu quarto gol no Engenhão. Por uma questão de segurança, os repórteres globais vão exigir coletes equipados de cérebros para enfrentar a dupla Loco/Herrera na saída do gramado do Engenhão.

PS III: Sem querer, o argentino evocou a máxima do escrivão Bartleby, célebre personagem do escritor Herman Melville (“Moby Dick”), que repetia sempre no trabalho a frase: “Eu preferiria não fazer”.

PS IV: E o Leão, hein? Que miado patético.

PS V:  Daqui a pouco tô indo para o aeroporto e volto com todos os detalhes da chegada do Seedorf.

Fotos: Botafogo Oficial

Enquanto isso, no aeroporto…

Imagem

Esse sou eu, às 13h40 de segunda-feira, procurando no painel o horário de chegada do voo do Seedorf.

Também aproveitei para conferir o horário de partida de Felipe Menezzzes, Herrera, Anderson Barros, André Silva…

Vocês acham que vou passar muito tempo no aeroporto?

Botafogo 0 x 1 Grenás: Onze lições para o Brasileirão

Anotações mentais que compartilho com vocês após o fim do Estadual:

1) Elkeson tem que ser vendido. Se ninguém quiser comprá-lo, que seja barrado. Sua displicência é inversamente proporcional ao futebol que está jogando. E a empáfia dele joga contra o time: armação de contra-ataques cada vez mais perigosos, por bolas perdidas de forma displicente, foi a tônica desse início de temporada. Já não temos muito dinheiro – e fizemos um péssimo investimento.

2) Loco Abreu deu todos os sinais que não vai aguentar ser titular absoluto com a maratona de jogos até o Brasileirão. Ainda mais em um esquema em que fica isolado na frente. É preciso contratar um outro centroavante, de preferência alguém mais jovem e mais rápido.

3) Os jovens Jadson e Gabriel, que entraram no maior fogo (com trocadilho), se comportaram muito bem. Mostraram personalidade e podem ser boas opções para o banco.

4) Nenhum time sério será campeão sem laterais reservas e apenas mais um zagueiro à disposição. O erro de planejamento do departamento de futebol é gravíssimo, mais uma demonstração inequívoca de incompetência gerencial, justo o atributo mais apregoado pelo presidente do clube.

5) Oswaldo perdeu a decisão, como comentou a alvinegra Ana Telhado no Twitter, quando não substituiu o Lucas no intervalo da primeira partida. E quando cometeu o segundo erro, de não fechar o time para evitar goleada.

6) Herrera continua uma lástima. O Marcio Azevedo melhorou bastante, e agora ao menos deixou de ser horroroso – está chegando perto do razoável.

7) Nossa zaga titular nunca foi grande coisa, mas surpreendeu pelo entrosamento quando começou a jogar junta. Agora, Antonio Carlos e Fábio Ferreira se mostram desatentos e facílimos de serem batidos quando enfrentam atacantes rápidos.

8) Toda invencibilidade é mentirosa. Algumas são mais mentirosas do que as outras.

9) O futebol do Renato está sumindo. Discrição em excesso.

10) Não temos um grupo de jogadores capazes de disputar, de verdade, o Brasileirão.

11) No próximo domingo, na estreia contra o São Paulo, espero o mesmo espírito de luta demonstrado no segundo jogo da decisão do Estadual. É o mínimo que merecemos.

 

Vitória 2 x 1 Botafogo: Uma vergonha e algumas certezas

Eliminado, em casa, de virada, por um time da Série B? O Brasileirão promete.

Após mais um vexame no Engenhão, não vou perder meu tempo  nem o de vocês (já leram isso por aqui, né?) com o desfiar de lamúrias e xingamentos.

Só vou compartilhar algumas certezas:

- A diretoria de futebol, e obviamente a comissão técnica, deveria ser demitida antes do Brasileirão. Pois o discurso do sr. Oswaldo era que veio para ser campeão – ganhou um turno do Campeonato Carioca, foi transformado em gênio tático, arrotou convencimento, foi goleado no primeiro jogo da decisão, acordou desclassificado da Copa do Brasil.

- Com esse time sem sangue e obviamente sem o apoio da torcida, vamos correr sérios riscos de rebaixamento.

- O Botafogo 2012, quem diria, sofre de dependência de Fellype Gabriel.

- Jefferson e Marcelo Mattos cometendo falhas bisonhas em um mesmo jogo. Sinal mais evidente que o barco está afundando e, nesse ritmo, até os bons jogadores serão traídos pelos nervos. Os medíocres estão contaminando os valorosos. Não vai sobrar ninguém.

-  O pai-de-santo do Alessandro, pelo trabalho impecável que fez para cima do Lucas, merece o prêmio de Profissional do Ano.

- Elkeson, meu filho, seu lugar é no divã: se você jogasse tudo que você acha que joga, estaria no Barcelona.

- Por falar em divã: A euforia do Luiz Carlos Junior gritando “É  a segunda expulsão do Lucas em dois jogos!”, somada à insistência do locutor do SporTV em apregoar e enumerar os vexames alvinegros,é caso que também só podem ser explicados à luz da psicanálise. Até o Pereirinha reparou – e se enfureceu.

- Loco Abreu, esse discurso que isso é apenas futebol, ninguém morreu, só vale nas derrotas, né? Quando é para mitificar a cavadinha, a euforia é aceita sem fazer objeções. Seja coerente no discurso – e, mais importante do que demonstrar habilidade com as palavras, faça os gols que você é pago para fazer (perdeu dois nessa quarta-feira).

- Já esqueci do duplo vexame em menos de sete dias e stou me preparando para ir ao aeroporto receber o Seedorf. Ele vai chegar no mesmo voo em que o Diego desembarcou no ano passado.

Botafogo, eu te amo, mas você tem me deixado mal. Ainda tenho mínimo de amor-próprio para não ficar torcendo alucinadamente para o Marcio Azevedo acertar um cruzamento. De onde menos se espera, já aprendemos, é de lá mesmo que não sai nada.

Glorioso, faça por merecer o meu sentimento – e dos que vieram antes de mim, e dos que chegaram depois de mim. Não precisa muito, a gente é fácil de ser (re) conquistado.

Basta um mínimo de competência, dedicação, entusiasmo, raça. Um mínimo de retribuição. Por enquanto, e acredito que por um bom tempo, vou ter que promover uma dolorida alteração no slogan que está impresso na nova camisa. Ficou assim: Tenho Vergonha, Sou Fogo.

Pois o meu Botafogo, o Botafogo que eu aprendi a amar, é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito. E preservado de tanta mediocriade.

Qualquer dia, amigos, eu volto a encontrar o Botafogo.

Qualquer dia, Botafogo, a gente vai se reencontrar.

Grenás 4 x 1 Botafogo: O duplo desafio

Pouco a falar sobre a superioridade do adversário.

Os grenás fizeram excelente partida: seus jogadores mais deci$ivo$$ estavam inspirados e fizeram a diferença, ninguém no Botafogo não jogou nada, a zaga foi inteiramente envolvida, Marcio Azevedo foi envolvido em duas tabelas, Elkeson teve atuação ridícula, o juizão deu sua colaboração ao carregar o nosso time de faltas, Abel neutralizou Maicosuel e isolou o Loco… isso todos já puderam observar e comentar.

Não vou perder o meu tempo nem o de vocês dissecando o desastre. Prefiro pensar para a frente e alertar para o duplo desafio de Oswaldo Oliveira, justo quando ele mais demonstrou passividade e estreiteza de visão de jogo, ao não conseguir reverter a evidente superioridade do rival mesmo após a marcação do gol do Renato. E, pior, errar feio nas substituições, tirando o Loco para mandar a campo Herrera. De onde menos se espera, é dali mesmo que não sai nada.

Cabe ao Oswaldo, tão eloquente após a vitória contra o Vasco, trabalhar muito nos próximos dias. Por dois motivos. O primeiro, e o mais importante: fazer o time reagir para garantir a classificação na Copa do Brasil. E depois, avançando de fase, realizar ao menos uma partida digna no próximo domingo, fazendo os seus comandados honrarem a camisa alvinegra e ao menos equilibrarem as ações no segundo jogo da decisão.  

Enquanto a gente esbraveja, com toda razão, a sua missão é outra, caro treinador.

Vai trabalhar, Oswaldo. Você ganha – e muito bem – para isso. 

Eis o momento de fazer valer o seu salário.

 

Vitória 1 x 1 Botafogo: Medida certa

Ele jamais vai admitir, mas certamente o Oswaldo ficou satisfeito com o empate no Barradão diante do Vitória. Com um time pra lá de desfalcado, e ainda uma péssima noite do Antonio Carlos (que perdeu todas para o Neto Baiano), a verdade é que 1×1 ficou na medida certa.

Dava para ter ganho o jogo? Sim, nos últimos minutos, quando tivemos dois contra-ataques e, por afobação e egoísmo, William e Vitinho desperdiçaram as chances. Mas, entre nós, o Vitória é que esteve mais perto de vencer, especialmente na primeira metade do segundo tempo, quando aplicou sufoco diante do atarantado Antonio Carlos e um sofrível Fabio Ferreira. Por sorte, Lucas estava mais ligado do que a dupla de zaga e salvou gol certo. Aliás, os dois laterais fizeram partidas razoáveis, ainda mais depois do desgaste de domingo.

No resto, uma agradável surpresa (a confirmação da maturidade do jovem Jadson), lampejos de Elkeson, Maicosuel (cansadão) e duas nulidades: Herrera (ao menos acertou o cruzamento do gol alvinegro) e Felipe Menezzes, O Homem Que Não Poderia Estar Lá. Mais uma chance, mais um desperdício – trata-se de um jogador improdutivo, inoperante, irritante, inacreditavelmente inofensivo. A molecada que entrou no 2o tempo (mui tardiamente) ao menos ajudou a equilibrar o jogo numericamente e, na base da correria, ajudou o time a correr menos riscos.

No pós-jogo, Oswaldo lembrou que o Botafogo ainda terá três jogos-chave em 10 dias: os dois da decisão do Carioca, mais o jogo da volta no Engenhão. E deu boas notícias, vindas do Rio de Janeiro: exceção do Andrezinho, que já era um caso mais complicado, os outros contundidos tiveram um bom dia de recuperação, o que nos deixa um pouco mais tranquilos para os próximos compromissos.

E, mesmo enfrentando adversários cada vez mais perigosos, continuamos invictos…

Vamos em frente.