
Vai ser difícil arrumar nesse campeonato uma chance mais fácil de faturar três pontos fora de casa.
E o que o Botafogo fez com essa oportunidade?
Jogou pela janela. Mas teve que se esforçar muito para conseguir seu objetivo.
Pois, logo quando abriu 2 x 0 antes dos 30 minutos do primeiro tempo, uma série de erros individuais grotescos alvinegros - no ataque e na defesa - só não foram aproveitados para o empate adversário ainda na etapa inicial porque o adversário é de uma incompetência atroz.
(Aliás, não tenho nada com isso, mas, pelo primeiro tempo que o Santos fez, o Alexis Stival poderia ter sido demitido no intervalo - o time que ele comanda demonstrou uma completa desorganização tática e técnica: é um bando, não um time de futebol)
A zaga alvinegra, mais uma vez, totalmente perdida. André Luiz e Renato Silva, lamentáveis; Castillo, inseguro, soltando bolas fáceis. Mas os volantes ainda deram conta do recado, tapando os rombos deixados por conta de roubadas de bola quase infantis. Quando eles caíram de produção, no segundo tempo, o time ficou totalmente exposto e bastou entrar um centroavante um pouquinho mais habilidoso do que o bonde Lima (que perdeu um gol inacreditável no primeiro tempo) para o Santos obter o empate. E, se tivesse cinco minutos, teria conseguido virar o jogo.
Mas o empate veio por méritos deles? Claro que não! Novamente, por incompetência nossa.
A começar pela invencionice de Ney Franco, depois de cogitar o ZAGUEIRO Ferrero e o MEIA Lucas Silva para o lugar de Zé Carlos, optar pelo CENTROAVANTE Vanderlei (!!) quando o time perdia de 2 x 1 e o Cuca deve ter orientado os seus (in)subordinados a avançar pelos lados. O nosso novo treinador, ao tentar um inexplicável ”nó tático” com a entrada de Vanderley, errou feio e não enxergou o óbvio: naquele momento, a urgência era a necessidade de maior marcação nas laterais.
Também contribuíram para o empate-com-sabor-de-derrota a incapacidade do Jorge Henrique de definir mesmo quando tem chances excelentes, o Renato Silva, com erro incrível de marcação no primeiro gol, o bandeirinha (que validou o gol em impedimento, apesar da ressalva de ser um lance difícilimo), a falta de fôlego de Túlio, Diguinho e Zé Carlos, mais a inutilidade que foi a presença em campo de Lúcio Flávio.
O que de bom houve nessa partida? A boa atuação dos volantes no primeiro tempo, quando o time jogou de forma inteligente ao explorar as lambanças do adversário (e não foram poucas), a velocidade do Jorge Henrique, e, acima de tudo, o rendimento do Wellington Paulista: fez um golaço (a la Dodô), deixou JH na cara do gol, e só cometeu a primeira falta aos 10 minutos do segundo tempo.
No final, tristemente para nós, o rendimento alvinegro foi a cara do Botafogo de Cuca: euforia no início, frustração no final. Tal e qual o duelo contra o Ney Franco na final do Campeonato Carioca de 2007.
Assim eles jogaram:
Castillo - Algumas boas antecipações, mas falhas ridículas. Não transmite mais a mesma segurança do início do ano. Irregularidade é o mais grave problema de um goleiro. Nota 4
Renato Silva - Mal, muito mal. Erro bisonho de posicionamento no primeiro gol do Santos. Conseguiu, assim, ajudar a pagar sua eterna dívida de gratidão com o Cuca: amigo é pra essas coisas. Nota 3
André Luiz - Também muito mal. Só não foi mais envolvido porque o ataque do Santos é de uma inoperância incrível. Precisaria ter ao seu lado um zagueiro de seleção para compensar as suas falhas, o que, obviamente, não é o caso de Renato Silva. Nota 3
Triguinho - Não comprometeu na marcação e ainda apoiou com algum perigo. Nota 5
Thiaguinho - Melhoria considerável em relação ao jogo contra o Vitória. Lançamento primoroso para WP no segundo gol alvinegro. Merece ser testado no time titular. Nota 7. Foi substituído por Túlio Souza que, apesar de mais uma proeza (tomou cartão amarelo dois minutos depois de entrar), pelo menos não errou passes. Mas o time caiu muito de rendimento e permitiu a chegada do Santos depois de sua entrada. Nota 5
Túlio - Muito bem no primeiro tempo. Cansou na segunda etapa e não deu conta da marcação, como mostra o replay do segundo gol. Nota 5,5
Diguinho - Praticamente no mesmo nível de Túlio, um pouco melhor nos desarmes - só que quase sempre seguidos de passes errados. Nota 6
Lúcio Flávio - Um problema sério. Esse era o jogo para assumir a responsabilidade, após o 2 x0, e comandar os contra-ataques ou reter a posse de bola no campo adversário. Não fez uma coisa nem outra; aliás, não fez coisa nenhuma. Nota 2
Zé Carlos - Um golaço de falta, maior segurança na parte defensiva, mas erros de passe de fazer o torcedor arrancar os cabelos. Perdeu duas chances de definir o jogo. Nota 5 Foi substituído por Vanderlei que, claro, não fez nada a não ser um gesto típico de pelada ao errar um chute na grande área, na linha a-bola-me-enganou. Quando o Brasiliense vai levá-lo? Nota 2
Jorge Henrique - Não dá para ter no time titular um atacante que não sabe finalizar - e não falo apenas do incrível gol perdido cara-a-cara com Fábio Costa, mas também do ridículo corta-luz quase dentro da pequena área (!) para Zé Carlos, quando a opção óbvia era empurrar a bola pra dentro das redes. Mas tem aparecido mais na partida, parece menos chinelinho, menos cai-cai. Nota 5
Wellington Paulista - O nome do jogo. Além do golaço, correu muito, deixou dois na cara do gol e lutou até o fim. Foi vítima de uma entrada criminosa, ignorada pelo árbitro, mas parece que os dias de má fase estão chegando ao fim. Nota 8 Acabou substituído por Alexsandro, que fez apenas uma jogada de algum talento e soube catimbar no último minuto da partida, impedindo a reposição rápida do goleiro do Santos. Nota 3
Ney Franco - O time teve competência e sorte no primeiro tempo, mas, além de não acertar o posicionamento da zaga, errou feio ao colocar Vanderlei no lugar de. Precisa ser mais humilde e menos deslumbrado - no intervalo, estava tirando onda, dizendo que o time tinha obedecido às mudanças que fizera: acabou de chegar e já quer sentar na janelinha. Nota 4
Pra finalizar, foi delírio meu ou havia uma faixa “Santos, Campeão Brasileiro de 1995″ na arquibancada da Vila Belmiro? Esse é o chororô mais longo da história…